Crianças negras

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2008.02.15 21:22 r/Brasil

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2020.11.27 16:17 bugleader Holocausto Brasileiro - A Colônia de Barbacena, não é a toa que as elites agem como agem, afinal o historico é bem interessante.

Por causa de um outro post aqui no Reddit (o do Bolso não ter dito nada sobre ser uma gripizinha) acabei encontrando refêrencias ao Hospital Colônia de Barbacena, como quase todo mundo de São Paulo, eu já tinha ouvido falar do Juqueri e outras instituições que se tornaram apenas 'depositos de loucos' ao invés de oferecer qualquer tratamento.
Mas este aqui parece ganhar de todos https://pt.wikipedia.org/wiki/Hospital_Col%C3%B4nia_de_Barbacena foi usado não só como 'deposito de loucos' mas para qualquer um que fosse inconveniente para as elites, amantes de politicos, opositores politicos, pedintes, etc eram mandados pra lá, o artigo da Wikipedia diz que 70% nem tinham qualquer diagnostico de doenças mentais, o lugar não tinha comida, agua e abrigo para a maior parte de seus 'pacientes' que bebiam agua de esgoto, dormindo no chão sobre folhas de papel, muitos nús, sofrendo abusos fisicos e sexuais dos funcionarios etc... funcionou de 1903 até a decada de 80 (atualmente é um museu).
Como diz o artigo:
(...) Muitos dos pacientes eram apenas alcoólatras, andarilhos, amantes de políticos, crianças indesejadas, epiléticos, inimigos políticos da Elite) local, prostitutas, homossexuais, vítimas de estupro e pessoas que simplesmente não se adequavam ao padrão normativo da época, como homens tímidos e mulheres com senso de liderança ou que não desejavam casar-se. Boa parte da população do Hospital Colônia também era da etnia negra. (...)
Em um passado mais distante - e em alguns casos mais proximo infelizmente - vimos instituições terem suas funções distorcidas para uso das elites, seja conventos onde se mandava as filhas 'indesejadas' a força isto desde o século 17 até a decada de 1950, seja sanatorios com doenças como a histeria, crianças indigenas separadas de seus pais e internadas em internatos escolares que morreram no Canadá (entre 1883 e 1998). E milhares de outros casos que fazem com que você tema as instituições que deveriam cuidar de você...
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2020.11.20 15:26 Arqium HOJE É DIA DE EU ME LEMBRAR.

Há um ano fiz um post sobre o racismo que recebi ao longo de minha vida e foi bem recebido e utilizado pelo pessoal para se abrir. https://www.reddit.com/brasil/comments/dz1kx3/hoje_%C3%A9_dia_de_eu_me_lembra
Vamos novamente lembrar de o que significa consciência negra neste dia, fiquem a vontade de compartilhar suas histórias nos comments.
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E neste sentido preciso dizer algo que aconteceu comigo este ano. Como podem ver no link postado, eu contei de algumas vezes mais memoráveis que sofri racismo.
Minha família é em geral branca, sendo minha mãe uma das únicas da família que é parda, não sei de quem ou de onde herdou a cor.
A família do meu pai é toda branca. Meu irmão nasceu branco e ninguém diria que tem família miscigenada. Mas eu nasci bem pardo também. Não tive muito contato com a familia de minha mãe pra saber da história deles.
Digo isso para dar o contexto para a história que vou contar:
Quando meu pai casou com minha mãe, a família (meus avós) do meu pai achou um absurdo e sempre antagonizaram minha mãe por ser parda, eu nunca entendi de onde ou porquê eles tinham tanto preconceito com minha mãe. Depois q meu pai e mãe se divorciaram parece que abriram a porta do racismo e maldade, convivi com xingamento de meus avós e tios contra minha mãe desde meus 4-5 anos de idade.
Contra mim até que não direcionavam maldade pq eu era criança, mas não esqueço do dia em que minha tia pegou uma escova de lavar roupas e esfregou meu joelho e cotovelo até tirar sangue, pq dizia q eu era encardido e minha mãe não me lavava e éramos desleixados (meu joelho e cotovelo são naturalmente mais escuros).
Meu avô e avó morreram há mais de 10 anos, na extrema pobreza, nunca me falhou ver a ironia de ver que a única pessoa que cuidou deles até a morte foi uma nora deles, essa sim completamente negra, pessoa que deu banho e limpou a bunda deles, por muitos anos.

Agora chegou a conclusão da história, há uns meses atrás fui visitar esses tios que cuidaram de meus avós até a morte, e por acaso rolou uma rara reunião de familia com meu pai, e outros tios lá. Depois de muitos anos tive a vontade de perguntar a história de meu avô, pois nunca tocaram no assunto antes, infelizmente foram um pouco vagos, pois meu próprio avô era muito fechado e não contava muito de sua história nem para os filhos, mas basicamente meu bisavô tinha uma fazenda de café no interior de minas gerais, e sim, empregava muitos escravos. Meu avô cresceu nessa fazenda cheio de escravos (sim, no século XX, a escravidão não foi imediatamente eliminada em 1888, tanto que até hoje existe). Meu bisavô morreu cedo de pneumonia, e devido a brigas entre irmãos/mulheres/vizinhos, meu avô foi jurado de morte e fugiu de Minas Gerais e nunca mais voltou, pelo que entendi, morou um tempo no Paraná, e o resto no Mato Grosso... nessa fuga abandonou praticamente tudo que tinha, e se virou com trabalho braçal, era semi-analfabeto crescido em fazenda, não deve ter sido fácil se virar com o próprio trabalho.

Foi um choque poder ver na minha própria história o outro lado do racismo que sofri em minha vida. Sofri racismo em minha vida e senti o sistema contra mim, sou pardo, não tenho raízes africanas, não sei de onde meus antepassados que foram escravos vieram, e posso afirmar que minha familia branca fez questão de não lembrar de onde veio o sangue negro. Mas por algum motivo, ainda lembram de onde veio o sangue branco, foi um choque ver que sou descendente também de escravagista no final das contas.
Apresento aqui minha história, tipicamente brasileira, de miscigenação, conflitos e racismo.
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TLDR: Sou brasileiro e dentro de mim há séculos de conflitos.
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2020.11.12 03:34 altovaliriano Salladhor Saan e a Ilha da Garra

GRRM fez o máximo para empobrecer Salladhor Saan e deixá-lo faminto por recompensas. O pirata está com Stannis desde o começo e nunca recebeu pagamento. Quando Stannis decide deixar Pedra do Dragão para ajudar a Patrulha da Noite, Salladhor Saan o acompanha. Mas quando Stannis o ordena que leve Davos a Porto Branco, o lyseno começa a perder navios e deserta da causa de Stannis.
Em Pedra do Dragão eu fui paciente – disse – quando a mulher vermelha queimou os deuses de madeira e os homens aos gritos. Todo o caminho para a Muralha eu fui paciente. Em Atalaialeste eu tive paciência... e frio, muito frio. Bah, digo. Bah para sua paciência, e bah para seu rei. Meus homens estão com fome. Querem foder suas esposas e contar seus filhos, querem ver Passopedra e os jardins de prazer de Lys. Não querem gelo, tempestades e promessas vazias. Este norte é muito frio, e está ficando mais frio ainda.
(ADWD, Davos I)
Portanto, quando deixou Davos nas Irmãs, Saan tinha um destino certo. Sua viagem seria longa e através de território hostil com uma frota menor do que tinha, mas seu destino era um conhecido covil de piratas (Passopedra) e a cidade de origem de Salladhor (Lys). Mas Davos conhecia Saan, e imaginava que ele tinha um plano para tornar seu regresso menos penoso:
Salla devia estar contornando os Dedos para voltar ao Mar Estreito. Estava retornando para Passopedra com os poucos navios que sobraram. Talvez conseguisse mais alguns no caminho, se encontrasse alguns navios mercantes promissores. Um pouco de pirataria ajudaria a distância a passar mais rápido.
(ADWD, Davos I)
Entretanto, o que Davos parece esquecer é que Salladhor Saan já havia feito um plano de ataque para conseguir parte de seu pagamento quando nem mesmo Davos sabia do pedido de ajuda da Patrulha da Noite. Na verdade, quando Davos é libertado da prisão (pela tentativa de assassinato de Melisandre), o plano de Salladhor (e Sor Axell Florent) estava sendo cogitado pelo próprio Stannis:
O plano que Sor Axell concebera com Salladhor Saan era simples. A algumas horas de viagem de Pedra do Dragão estava a Ilha da Garra, sede marítima ancestral da Casa Celtigar. Lorde Ardrian Celtigar lutara sob o coração flamejante na Água Negra, mas, depois de capturado, não perdeu tempo até passar para o lado de Joffrey. Ainda permanecia em Porto Real.
[…]
Sor Axell propunha usar a frota de Salladhor Saan e os homens que escaparam da Água Negra – Stannis ainda tinha cerca de mil e quinhentos homens em Pedra do Dragão, mais de metade dos quais pertenciam aos Florent – a fim de exigir compensação pela deserção de Lorde Celtigar.
(ASOS, Davos IV)
Quando Davos faz o discurso que convence Stannis a não atacar a ilha, ele destaca o fraco sistema de defesa que Lorde Celtigar deixou para trás quando partiu para a Batalha do Água Negra:
[…] A Ilha da Garra tem fracas defesas, sim. É defendida por mulheres, crianças e velhos. E por quê? Porque seus maridos, filhos e pais morreram na Água Negra, eis o porquê. Morreram nos remos, ou com espadas nas mãos, lutando sob as nossas bandeiras.
(ASOS, Davos IV)
A última aparição de Lorde Celtigar se deu no julgamento de Tyrion:
Depois de Pycelle veio a procissão, sem fim e cansativa. Senhores, senhoras e nobres cavaleiros, tanto bem-nascidos como humildes, todos tinham estado presentes no banquete nupcial, todos tinham visto Joffrey sufocar, o seu rosto se tornando tão negro quanto uma ameixa de Dorne. Lorde Redwyne, Lorde Celtigar e Sor Flement Brax tinham ouvido Tyrion ameaçar o rei; […].
(ASOS, Tyrion IX)
Não ficamos mais sabendo do paradeiro de Lorde Ardrian Celtigar, mas neste caso a falta de informações tende mais a significar que ele permaneceu em Porto Real desde então. Então, as condições de proteção devem ter se mantido as mesmas. Afinal, convenhamos, se a ilha estava abandonada quando Stannis estava em Pedra do Dragão, não seria depois de ele ter partido que surgiria a urgência de fortificá-la.
A questão central aqui, entretanto, não é definir o que Salladhor enfrentaria ao atacar a Ilha da Garra, mas o que Saan ganharia. Segundo o relato de Davos “embora o Celtigar tivesse mostrado ao mundo um rosto avarento, nunca impusera limites ao seu próprio conforto”. Isso quer dizer que seu castelo abrigava muita riqueza e luxo, além de dois itens particularmente interessantes, a ponto de serem verdadeiras armas de Chekhov:
A Ilha da Garra tinha uma guarnição leve, e dizia-se que o castelo estava recheado de tapetes de Myr, vidro volanteno, baixelas de ouro e prata, taças cravejadas de joias, magníficos falcões, um machado de aço valiriano, um berrante que era capaz de invocar monstros vindos das profundezas, baús de rubis, e mais vinho do que um homem conseguiria beber em cem anos.
(ASOS, Davos IV)
Ambas as coisas chamaram muito a atenção de leitores, o machado por ser o único machado de aço valiriano que se conhece, o berrante porque qualquer coisa mágica chama a atenção. Não sendo um guerreiro, Salladhor Saan concentra-se especialmente na utilidade do berrante:
[...] Todo aquele bom ouro na Ilha da Garra que podia ter sido meu, fico velho e cansado só de pensar nele. Quando morrer empobrecido, minhas esposas e concubinas vão amaldiçoá-lo, Senhor das Cebolas. Lorde Celtigar tinha muitos belos vinhos que não estou saboreando, uma águia do mar que treinara para levantar voo de seu pulso e um berrante mágico para fazer sair lulas gigantes das profundezas. Muito útil seria esse berrante, para puxar para baixo os tyroshi e outras criaturas incômodas. Mas posso soprar esse berrante? Não, porque o rei fez de meu velho amigo sua Mão.
(ASOS, Davos V)
Agora Salladhor Saan está voltando para o Sul e está conquistando novos navios no caminho. Considerando-se a frustração do pirata ao ter perdido uma presa fácil, dificilmente ele deixaria a oportunidade passar em branco novamente. Especialmente agora que ele está se afastando da política de Westeros e voltando para a clandestinidade.
Agora imaginem o seguinte: Salladhor Saan está se movendo para o Mar do Verão com um berrante que invoca monstros das profundezas e um machado de aço valiriano. Nós sabemos que na mesma região está Euron Greyjoy, um homem usando uma cota de malha de aço valiriano e que visões apontam que dobrará até lulas gigantes à sua vontade.
Então Euron ergueu um grande berrante aos lábios e soou, e dragões e lulas gigantes e esfinges obedeceram a seu comando e se curvaram perante ele.
[…]
Aço valiriano, soube o Cabelo-Molhado. A armadura dele é de aço valiriano. Em todos os Sete Reinos, nenhum homem possuía uma veste de aço valiriano. Coisas como essa haviam sido conhecidas 400 anos antes, nos dias antes da Perdição, mas mesmo então, teriam custado um reino.
(TWOW, O Abandonado – tradução de Gelo & Fogo)
A aparição de Salladhor Saan munido de um machado de aço valiriano e um berrante para convocar monstros das profundezas poderiam equilibrar as coisas caso os prenúncios sobre Euron e seus poderes se provem reais. É de se imaginar que somente uma arma de aço valiriano possa anular a proteção da armadura de Euron, assim como o berrante pode encantar as lulas gigantes comandadas por Euron (senão, o berrante pode invocar outros monstros das profundezas – como leviatãs – para enfrentar as lulas gigantes).
Alguns leitores até mesmo acreditam que a seguinte passagem indica que Salladhor Saan já estaria testando o poder do berrante enquanto se desloca para Lys:
– E lulas gigantes perto do Braço Quebrado, puxando galés avariadas para o fundo – disse Valena. O sangue as atrai para a superfície, segundo nosso meistre. Há corpos na água. Alguns foram lançados às nossas costas. E isso não é a metade. Um novo rei pirata se instalou na Profundeza do Torturador. O Senhor das Águas, ele se auto-intitula. Esse tem navios de guerra de verdade, de três andares, monstruosos de grandes. Foi sábia em não vir pelo mar. Desde que a frota Redwyne passou pelos Degraus, essas águas estão infestadas de velas estranhas, até os Estreitos de Tarth e a Baía dos Naufrágios ao norte. Homens de Myr, volantinos, lysenos, até salteadores das Ilhas de Ferro. Alguns entraram no Mar de Dorne para desembarcar homens na costa sul do Cabo da Fúria. Encontramos um bom barco rápido para você, como seu pai ordenou, mas ainda assim... tenha cuidado.
(TWOW, Arianne I – tradução de Gelo & Fogo)
Somados todos os argumentos acima, percebemos que este tipo de enredo combinaria com uma declaração que GRRM fez em seu blog em 2013:
Se você leu meus romances, saberá que às vezes um personagem que parece muito pequeno em um livro assume grande importância em volumes posteriores... e às vezes até se torna um POV. Deixe-me logo acrescentar que isso não significa que eu estou prometendo fazer salladhor Saan um personagem POV ... mas isso significa que eu terminei com ele.
Como dito acima, Salladhor Saan não é um guerreiro. Então, em si, o pirata lyseno não teria nenhuma utilidade para o machado de aço valiriano. Obviamente, ele poderia entregar o artefato para algum membro de sua tripulação que fosse hábil e forte ou – o que combina mais com um pirata – ele poderia tentar vendê-lo.
Entretanto, muitos leitores acreditam que este machado está praticamente com o nome de Victarion escrito nele, e apostam que o Greyjoy do meio estaria destinado a se apossar dele (apesar de que ninguém tem um bom palpite de como isso ocorreria).
Entretanto, o que nós podemos criar expectativas é de que veremos lulas gigantes nos próximos livros, em razão deste SSM de uma entrevista de Martin em Barcelona em 2012:
Há uma história nos livros sobre um chifre que pode invocar lulas gigantes das profundezas. Será que algum dia veremos uma lula gigante?
(Martin parece surpreso com a pergunta.) Possivelmente.
(SSM, 28/07/2012)

Por que não Aurane?

Muitos leitores contestam estas especulações alegando que Aurane teria melhores condições e razões para tomar o berrante e o machado.
Eu acho tudo essas alegações vazias. Se muito, Aurane poderia ter condições e razões equivalentes a Saan, mas nunca melhores.
Primeiro porque Aurane nunca mencionou Celtigar, a Ilha da Garra, aço valiriano ou berrante mágico. Em contrapartida, Salladhor os mencionou bastante (na verdade, lamentou bastante).
Por outro lado, a Ilha da Garra fica ao norte de Pedra do Dragão. Para Salladhor Saan, estava no caminho até Lys. Para Aurane, que queria fugir para o sul era um desvio potecialmente perigoso. É de se pensar que Aurane, no máximo, chegou até Derivamarca (que fica ao sul até de Pedra do Dragão) e de lá seguiu para os Degraus.
Estimativa de rota para Passopedra. Aurane Waters em rosa, Salladhor Saan em verde.
Por outro lado, a fala de Valena Toland parece indicar que Aurane não é do tipo que está passando despercebido pela região, então seria de se pensar que se ele tivesse artefatos mágicos consigo já estaria se gabando disso.

Se há uma visão de Euron tocando um berrante e chamando lulas gigantes, o berrante não está ou vai cair nas mãos de Euron?

Que o berrante possa cair nas mãos de Euron a fim de que a visão se concretize é realmente uma possibilidade. Mas assumirmos que Euron já possui o Berrante seria muito esquisito, pareceria que ele é algum tipo de personagem polivalente, um Gary Stu.
De todo modo, há uma observação feita por um usuário do Forum of Ice and Fire que vale a pena ser ressaltada: invocar e atar são duas coisas distintas. O berrante valiriano Atador de Dragões supostamente dobra dragões a sua vontade, enquanto que o berrante dos Celtigar meramente invoca as criaturas das profundezas.
Ou seja, não haveria garantias de que a pessoa que invocar as criaturas (Salladhor, Euron, Victarion, Aurane, etc) estaria imune aos ataques que elas poderiam desferir uma vez que chegassem à superfície. Ou melhor dizendo, a não ser que você acredite que Euron é um vidente verde e troca-peles.
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2020.10.29 18:04 williambotter Escola de elite de SP dará bolsas de estudos a crianças negras e indígenas por toda vida escolar

Escola de elite de SP dará bolsas de estudos a crianças negras e indígenas por toda vida escolar submitted by williambotter to brasilnoticias [link] [comments]


2020.10.28 05:52 ritalin_and_redbull Sobre a Seita Lus e a morte de crianças

Apesar do Ivan já ter deixado bem claro que a Seita Lus e a suposta presença da Valentina em Guaratuba não tenham relação nenhuma com o desaparecimento de crianças, pra mim, sem maiores informações sobre o caso, parecia um pouco estranho.
Como assim, essas pessoas não foram condenadas por matar crianças no Pará? E como assim, décadas depois um homem no Maranhão teria confessado esses crimes?
https://www.mpma.mp.bmemorial/wp-content/uploads/2017/05/Caso-dos-Emasculadosmiolo-1.pdf
Esse relatório do MP/MA sobre Francisco das Chagas Brito é bastante esclarecedor.
Interessante que as investigações no Maranhão no começo também suspeitavam da Seita Lus e rituais de magia negra.
Inicialmente, foram estabelecidas 03 (três) linhas de investigação, como forma de nortear os trabalhos da equipe investigadora, sendo que a primeira delas buscava identificar os terreiros de Umbanda da Ilha de São Luís, seus rituais, participantes e a possível prática de crimes como oferenda sacrificial. A segunda linha tencionava investigar a Seita Lus - Lineamento Universal Superior, comandada por Valentina de Andrade, verificando os mesmos aspectos já mencionados. A terceira delas procurava identificar a possível interligação entre a Seita Lus e os terreiros de Umbanda. A possibilidade de um serial killer era presente, mas não taxativamente enumerada como uma das linhas de investigação.
De maneira bem sucinta, os fatos são que Francisco cresceu em Altamira e foi para o Maranhão quando adulto, as mortes no Pará coincidem com as datas que ele retornava, e não apenas confessou os crimes depois de 20 anos, também indicou o local de duas ossadas em Altamira.
Durante as investigações realizadas pelas autoridades policiais civis do Estado do Pará referentes aos crimes intitulados ‘’meninos emasculados de Altamira” foram reunidos em um inquérito policial os crimes em que foram vítimas Otoniel Bastos Costa, Vandiclei de Oliveira Pinheiro, Jurdiley da Cunha Chipaia, Jaenes da Silva Pessoa e Flávio Lopes da Silva, no qual houve o indiciamento e, posterior denúncia de Amailton Madeira Gomes, Césio Flávio caldas Brandão, Carlos Alberto dos Santos Lima, Anísio Ferreira de Souza, Aldenor Ferreira Cardoso e Valentina Andrade, supostos membros da seita LUS - Lineamento Universal Superior, comandados por esta última, que teriam assassinado e emasculado as vítimas em rituais de magia negra. Dos denunciados acima apenas Valentina Andrade foi absolvida pelo Tribunal do Júri e Aldenor Ferreira Cardoso se encontra foragido, razão pela qual ainda não foi julgado.
(...)
No dia 08/04/2004, a Rede Record de televisão apresentou no Programa Repórter Record uma reportagem sobre os “meninos emasculados de Altamira”; reportagem esta que foi assistida por CHAGAS dentro da carceragem onde se encontra custodiado. No dia seguinte, CHAGAS foi interrogado a respeito dos crimes ocorridos em Altamira quando lhe foi apresentada uma relação com o cruzamento das datas dos crimes ocorridos em Altamira e São Luís. Tal relação comprovou que CHAGAS se encontrava em Altamira na época em que lá se iniciaram os crimes, no ano de 1989, assim como, também se encontrava em São Luís quando aqui começaram os crimes em 1991. Da mesma maneira, quando retornou para Altamira, para os festejos natalinos, ainda no ano de 1991, ocorreu mais um crime naquela cidade, e, ao voltar para São Luís, no início de 1992, aqui ocorreu mais um crime. Em meados deste ano, e, após regressar a Altamira, lá recomeçaram os crimes, cessando as ocorrências de delitos dessa natureza em São Luís até o ano de 1996, quando CHAGAS veio morar definitivamente nesta ilha. Ressalte-se que, após a saída definitiva de CHAGAS de Altamira, cessaram-se os crimes naquela localidade. Feita a apresentação acima descrita a CHAGAS, este negou a autoria dos crimes ocorridos em Altamira, porém, no dia 14/04/2004, espontaneamente, pediu para ser ouvido e confessou, inicialmente, a prática de 04 (quatro) crimes ocorridos na cidade de Altamira. No Estado do Pará, a Polícia Federal prosseguiu nas investigações dos crimes dos “meninos emasculados de Altamira” por determinação do Ministério da Justiça porque, ainda encontravam-se pendentes apurações a respeito dos casos que não haviam sido submetidos a julgamento, razão esta, pela qual a Polícia Federal no Pará foi comunicada da investigação que aqui estava sendo feita em relação a CHAGAS e que o mesmo tornou-se, com as suas declarações, também suspeito da prática dos crimes ocorridos em Altamira.
(...)
No dia 28/06/2004, CHAGAS foi conduzido até a cidade de Altamira/PA, pela Polícia Federal no Estado do Pará, após autorização do Juiz de Direito Márcio Castro Brandão, da 1ª Vara da Comarca de Ribamar, para a realização de diligências necessárias nos autos de 16 inquéritos policiais instaurados para apurarem os novos fatos de que se tiveram notícias em razão das mortes e desaparecimentos de crianças em Altamira, entre os anos de 1989 a 1993. Foram realizadas Recognições Visuográficas e Levantamento de Locais de crimes, por CHAGAS, nos locais em que foram encontrados corpos das vítimas, assim como nos locais indicados pelo mesmo onde teriam sido deixados os corpos das crianças desaparecidas. Nos locais indicados por CHAGAS onde teriam sido deixados os corpos das crianças desaparecidas foram realizadas buscas e encontrados restos de duas ossadas, as quais estão sendo submetidas a exame para identificação.
As mortes de crianças em Altamira não tiveram relação nenhuma com a Seita Lus. A Seita Lus não matava crianças. Não existe nenhuma prova de o grupo fazia de rituais de magia de negra com sacrifícios humanos. O que FOI provado, o que EXISTE é um serial killer que matava crianças pobres no interior do Maranhão e do Pará.
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2020.10.25 23:47 1984stardusta Pedofilia vem chegando pelas mãos da interseccionalidade. Ninguém pode falar mal da mulher negra que promove a prostituição de crianças

Pedofilia vem chegando pelas mãos da interseccionalidade. Ninguém pode falar mal da mulher negra que promove a prostituição de crianças submitted by 1984stardusta to Brasilivrelivre [link] [comments]


2020.10.20 17:38 Competitive_Tour7496 Rupture - Seriado baseado em Bioshock

Oque é: Seriado curto de uma temporada e no maximo 10 eps. adaptação do game Bioshock 1;
Sinopse: Durante a ultima semana de 1958 duas mulheres, Gabrielle Chauchat e Amanda Jackson's tem que enfrenta uma luta pela própria vida nos becos da cidade velha enfreando inimigos e seus próprios passados a cada esquina, em uma cidade de liberdade irrestrita elas iram descobri que precisam mais do que força e coragem para sobreviver, como também confiar uma na outra e fazer um audacioso plano de fuga da cidade.
Gênero: Drama, Suspense, Terror, Ação e Noar;
Origem da ideia: vei a partir do filme cancelado de 2010 por vários motivos, foi pesando em um roteiro para fazer uma história que preservasse a essencia do jogo e ao mesmo tempo que tivesse personalidade, logo inspirado em Bureal at Sea, Bioshock: Rupture Novel e Atlas Shrugged (ambos em fase leitura ainda), a historia segue a discussão sobre a guerra e sua visão pelas mulheres, a liberdade da cidade e como é na pratica e sobre destino e controle e outras analises mais.
a série parte do princípio de ser um "duro de matar 3" com mulheres, duas estranhas se ajudando com um objetivo em comum a sobreviver em um ambiente hostil e perigoso podendo contar somente uma com outra, elas terão que localizar a filha de Jackson e executar um audacioso plano de fuga da cidade que está em vias de explodir devido as tensões internas acumuladas e planos pessoais.
Personagens principais:
Gabriele Chauchat H.
idade: 38
aparecia, Francesa alta de 179 cm, magra coorte chanel e aparência discreta e reservada, atualmente trabalha como assistente social para Little Sister's Orphanage ( na pratica ela stalkea família pobres da cidade ou com problemas judiciais e procura formas de entra com pedidos de guarda "provisoria" das crianças"), acentualmente em desgraça pela profissão procura alguma foram de redenção dos crimes cometidos e forma de fugir da cidade.
durante a Segunda Guerra foi parte dos grupos de resistência partisan francesa, lutando entre Belgita e Espanha conta os nazistas, sabotando e enviado informações ao ingleses, em algum momento teve a oportunidade de ir para Rupture começa vida nova apos se decepcionar com a tensões da guerra fria na politica e pela propaganda de liberdade que atraiu varias pessoas para a fundação da cidade perfeita.
personalidade: atenciosa, calculista, extremamente atenta ao seu redor, humor irônico e cruel tendencia a esconde as emoções;
habilidades: como foi estudante de psicologia antes da guerra, possui habilidades de conhecimento do comportamento humano que lhe permite fazer avaliações das pessoas e situações e se planeja antecipadamente, boa atiradora, senso de liderança e responsabilidade, otina em fazer estrategias;
Plasmids:
Cyclone Trap, Target Dummy, Houdini e Security Bullseye.
Amanda S. Jacson's
idade: 45
aparência: mulher negra de 160 cm de altura, corpulenta não obesa, simpática e bem humorada, trabalha na Jackson's & Jackson's Repairs, uma loja de reparo de batisfera particulares com problemas de pagamento de contas, dês um acidente que matou o marido de Jackon's e cominou na perda da guarda de sua filha, Amanda vem tentando manter o seu negocio e reverter a decisão da corte de cidade e recuperar a guarda de sua filha novamente.
a alguns anos vem participando de um esquema de trafico de produtos da surperfice com Marcos Salazar que mantem uma relação de desconfiança e confiança pela natureza da operação. devido a isso esta planejado uma fuga da cidade usando os grandes eventos comemorativos para passar despercebida pelo controle de segurança de Rupture.
Durante a Guerra foi parte da Westinghouse , corpo de mulheres a serviço das fabricas, na produção de caças e tanques, depois da guerra se casou com ex-mecânico de naval H. Jacksons, apos uma serie de endividamentos e crises, ambos aceitaram um convite para ser operários em ambicioso projeto de um milionário que oferecia além de um ótimo pagamento uma oportunidade de nova vida a de fazer parte de uma nova sociedade perfeita com a liberdade como ponto central de tudo.
apos anos de trabalho na cidade e na Atlantic Express, abriu com seu marido a Jackson's & Jackson's Repairs, uma loja de concertos de batisferas bem sucedida ate o acidente que matou o esposo de Amanda e que a fez perde a guarda de sua filha.
apos uma pesquisa pessoal para saber a sua localização que tem acumulado em uma grande divida, ela localiza o endereço de um assistente social que está igualmente insatisfeito com o rumos da cidade, e pós alguns encontros e conversas com ela, ela propõem uma oferta de ajuda multa, entroca localizar a sua filha ela oferece a oportunidade de fugir da cidade de volta ao continente, assim podendo retorna a antiga vida na surperfice.
Plamids:
Electro Bolt, Encinerate!, Teleksinesis,
adquerido: Sonic Boom
Desenvolvimento.
Amanda procura informações sobre sua filha e chega ate Gabrielle, apos o negociações ambas fazem um pacto para ajudar mutua para fugir da cidade durante o ano novo quando as defesas estarão desprotegidas devido as festividades, ambas partem para a parte velha e negligenciada da cidade para procura a filha de Jackson que esta como Little Sister, vagando pelo local como apontou Gabrielle por suas fontes.
contando com a ajuda de Salazar como apoio para certos pontos, ambas devem enfrenta os desafios e perigos do lugar e trança um plano para derrotar o maior perigo do fundo do mar, um Big Daddy pronto para morrer em defesa de sua little sister.
Argumentos:
  1. desenvolver o ponto de vista da violência urbana na formação social, como é impossível se eliminar e como é o resultado de qualquer agrupamento de pessoas em um local confinado;
  2. limites da liberdade, quando o seu excesso começa a minar a sociedade,
  3. violência e feminismo, como ele é percebido além da posição de vitima, o que ocorre quando é a mulher a autora da ação e sua percepção sobre isso ( ou qual seria a diferença de uma McLaney matando varias terroristas por mero lugar comum de roteiro de filme e o Bruce Wilians fazendo o mesmo?). Ler "O Poder " de Naomi Alderman para ter um ponto de vista sobre, (mulher loba da Mulher)
  4. guerra como é percebido pelas mulheres e sua visão como evento social;
  5. pesquisa sobre relatos e vida de partasanas francesas
  6. pesquisa sobre operarias do período de guerra
  7. pesquisa sobre o táticas de contrabando;
  8. feminismo em uma sociedade de liberdade absoluta, o que acontece quando todos os individuas podem causar danos uns nos outros com bolas de fogo disparados pelas mão?
  9. pesquisa sobre roteiro de filme noar, ( mundo decadente, personagens com problemas insolúveis, corrupção como forma de soluciona o problema)
OBS; É realmente mais complicado colocar no papel do que pensar, de fato esse é o esqueleto, falta "somente" toda a coesão e contexto para juntar tudo isso.
OBS2; cria Flair Seriado, ou Adaptação para localizar
OBS3: Plamids fazer parte do contexto da historia sendo funcionais durate ela e não penas como recurso de ação, é fundamental para seu desenvolvimento e a usar com sabedoria durante a historia sera fundamenta, habilidades limitadas.
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2020.10.14 23:28 1984stardusta Eu fui expulsa por 10 dias do Reddit inteiro por postar meme da magazine Luiza racista... Que está sendo processada por 10 milhões

A Megazine Luiza é racista porque num momento em que milhões ficaram sem emprego ou empregabilidade, sem o direito de levar criança para a escola para garantir ao menos uma refeição por dia, estão resolvendo extorquir dívida histórica de pobre.
Não basta tosquiar a ovelha, ainda querem arrancar a pele mestiça porque é clara demais, ou arrancar o couro da mulher branca que tem filho para criar na favela e ganhou o status de privilegiada.
Do que me serve o racismo num momento em que as pessoas querem trabalhar para colocar pão na mesa ? Que diferença faz se as mãos que levam comida à boca são brancas ou negras? Do que me vale saber o formato da boca, do nariz, da fronte antes de deixar desempregados procurarem trabalho e quem é o juiz Lombroso que se mete a escorraçar gente para fora do mercado de trabalho através de julgamentos raciais?
É um sistema de seleção monstruoso.
E as mesmas pessoas que me escorraçaram para fora do Reddit para proteger uma mega corporação que quer impor um admirável racismo novo colocam uma voz negra para fora do debate porque não concorda com supremacia de raça social.
Pior, as pessoas que definem que homem é apenas mais um tipo de mulher e que negro é uma identidade política ao sabor da maré...são os piores seres humanos para definirem o que é negro, pardo ou branco.
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2020.10.10 14:16 TapperTotoro Os meses em que vivi na rua, toda a fome que passei e a bicicleta que mudou tudo para melhor.

Eu venci a depressão e é isso que tenho feito desde que me curei! - Parte 3/365
Uma espécie de diário aberto: Os meses
Olá ...
Hoje não devo escrever muito, e decidi partilhar uma prosa que escrevi nos meses que sobrevieram o meu divórcio (editado: escrevi mais do que achava que escreveria).
Para colocar em perspetiva: depois de sair da casa que era minha (comprada e que ficou para a minha ex-esposa e para os meus filhos) consegui alugar uma casa por alguns meses, mas não conseguia trabalhar por causa da profunda depressão, além de não receber respostas positivas por parte das empresas para onde mandava o meu curriculum e em poucos meses todas as minhas poupanças acabaram e acabei por ter de ir morar para a rua. Morar na rua implica passar fome - já passei noutros momentos da minha vida, pois durante grande parte da minha infância, o país em que nasci e vivi até antes de me ter mudado permanentemente para Portugal, viveu em guerra civil - felizmente Portugal é um país relativamente seguro, mas nada fácil principalmente para pessoas negras (acreditem, por mais inteligente e boas referências uma pessoa negra tenha aqui em Portugal, é muito difícil arranjar algum emprego que os próprios portugueses consideram "condigno", e todos os lugares em que trabalhei cá eram fora da minha formação - Estatística, Gestão, Informática e Administração, fora os conhecimentos de informática que tenho mas que infelizmente ainda não tenho um diploma para provar que tenho, mas em breve isso mudará. (lembra-se, estou a estudar e no final do próximo ano recebo um diploma de Desenvolvedor de Software).
Felizmente por causa do meu trabalho com as artes, conheço muita gente que apesar de não me poderem ajudar com a questão da casa, arranjavam-me algo para comer durante os meses em que vivi na rua e saí da cidade em que fui viver depois do divórcio, muita gente passou-me contactos que elas tinham e eu arranjei um emprego num bar (aos finais de semana e feriados de noite-madrugada) e com esse dinheiro eu conseguia comer e poupar para comprar uma bicicleta.
Porque uma bicicleta?
Simples: eu caminhava mais de 10 quilómetros todos os dias que voltava do trabalho no Bar, às 02:00 da madrugada. Nessa mesma altura em que comecei a trabalhar no bar, ia para um lugar em que tinha uma escola antiga que era usada como estúdio de ensaio para bandas e outras atividades culturais e recreativas, e lá ficava a preparar as minhas refeições e compor músicas (além de tratar da minha higiene). Felizmente, eu não preciso de dormir bastante ou consigo passar até uma semana sem dormir (literalmente) e também aproveitava o facto de que existia uma praia fluvial por perto para ir tirar uma soneca lá nos dias em que estava muito exausto. Infelizmente o dinheiro que ganhava no bar, mesmo com as gorjetas não servia para alugar sequer um quarto (mesmo tendo eu comida de graça no bar para jantar de noite e pequeno almoço de madrugada, e poupando algum dinheiro); então a bicicleta ajudar-me-ia e ajudou bastante a tanto poupar mais algum dinheiro que gastava com o autocarro para ir trabalhar, quanto poder me deslocar para mais entrevistas e futuros trabalhos.
Passado um mês depois de começar a trabalhar no bar, recebi uma resposta de uma das fábricas em que tinha mandado o meu curriculum e que ficava há mais ou menos 10 quilómetros do edifício em que tinha a sala de ensaio; depois de ir para a entrevista de dia, na tarde do dia seguinte eles ligaram-me a dizer que eu tinha ficado com o trabalho e que começaria já no dia seguinte (nota, faltavam alguns euros para poder comprar a bicicleta nesse dia e eu tinha de arranjar uma maneira de conciliar os dois trabalhos, pois um terminava às 02 da madrugada e o outro começava às 05:30 da madrugada, mas de forma rotativa - uma semana às 05:30, e outra às 13:30, e nas sextas feiras a hora em que saia de um era muito depois da hora em que eu tinha de entrar para o outro trabalho - bar e fábrica).
Essa incógnita dos dois trabalhos que não deram para conciliar. O que fiz?
Bem, uma coisa de cada vez. Primeiro, fui trabalhar para o bar numa quinta feira que era feriado e tinha de entrar para a fábrica na sexta feira, às 05:30, e como ainda não tinha a bicicleta, saí do bar e caminhei até à fábrica, estava super empolgado e feliz por ter um trabalho a tempo integral, e como sairia às 13:30, não havia nenhum problema em não ir para a praia fluvial tirar uma soneca. Nesse dia, lembro-me que não foi difícil aprender a trabalhar com as máquinas da fábrica (tenho essa facilidade aprendizado absurda); mas passei todo o turno de trabalho a pensar em como lidar com essa incógnita e cheguei à conclusão que somente ia trabalhar no bar (e não poderia trabalhar lá porque não tinha como mudar os meus horários de trabalho em ambos os lugares) até a conseguir comprar a bicicleta e calhar a sexta feira em que o meu horário de trabalho na fábrica terminava depois do início do meu horário de trabalho no bar (num terminava às 21:30 e noutro começava às 17:00).
Segundo, trabalhei nos dois lugares durante uma semana, falei com os meus empregadores e como não deu para mudar os horários, despedi-me do bar e fiquei a trabalhar somente na fábrica, e no meio disso tudo, comprei a bicicleta e todos os dias, de segunda à sexta, numa semana acordava às 03:45 da madrugada para pedalar por uma hora até ao trabalho e depois mais uma para voltar até ao estúdio às 13:30 e noutra entrava às 13:30 e às 21:30 pedalava eu até ao estúdio de ensaios para espairecer e criar alguma coisa artística e fazer a minha higiene pessoal, além da comida para o dia seguinte ...
A fome e a rua!
A fome: em menos de 4 meses eu saí dos meus 98 quilogramas de peso, para os 66 quilogramas. Isso para mim resume tudo, mas ainda assim consegui ter energias para caminhar e lembro-me de ficar pasmo que em menos de uma semana eu tinha caminhado mais de 100 quilómetros (gravei uma foto com isso e uso-a para lembrar-me sempre do quão forte sou capaz de ser nos momentos de maior adversidade. A fome nunca é só fome, é também propulsora de ansiedade, fragilidade psicológica além da física, desmotivadora . . . mas venci a fome com toda as forças que reuni quando decidi voltar a viver e lembro-me muito bem que sempre que eu ia trabalhar para o bar, e sorria, não era um sorriso para esconder as dores no estômago ou todo o caos da minha vida nos últimos meses, mas sim um sorriso cheio de esperança e motivação, pois como já disse, pelo que parece, sou muito bom a começar do zero e a além de sobreviver, viver. A rua ofereceu-me muito mais do que eu podia imaginar, não no quesito segurança contra todos os elementos da sociedade e natureza, mas na paz que mesmo lá, no fundo do poço do conceito da sociedade materialista, encontrei e que me ajudou a ter mais forças para superar tudo ...
Enfim, sempre que me referir ao mês de junho de 2019, será para falar do mês em que recomecei realmente a minha vida depois do divórcio e de superar a depressão, a fome e o viver na rua, pois nesse mês eu consegui um trabalho a tempo inteiro, comprei uma bicicleta, conheci a minha atual namorara (uma mulher incrível que muito amo) e voltei a viver entre as quatro paredes em que me encontro hoje. Cá fica um dos textos literários que escrevi num dos meses em que morei na rua e perdia de forma assustadora a minha massa corporal:

GRÃOS, LEGUMINOSAS, TUBÉRCULOS E FUNGOS
É assim que se destrói o homem, em atenção, não! Não apenas o ser portador do mastro sexual, mas o animal de espécie humana. O fumo varre o meu olhar entre a realidade num lado, e a minha mente do outro, o vidro duplo no meio, física transparente da janela; da direita para a esquerda, embriagado pelo vento, enquanto se dissipa o tempo. Mas não! É assim que desaparece a minha vida. Enquanto como arroz, ao acordar, mas somente depois de passadas seis horas. Até lá, permaneço de estômago vazio a tentar escapar da morte. E ervilhas, e alface no dia da alface, e cenoura no dia da cenoura, e cogumelos, não os mágicos, no dia da não cenoura, depois de se terem acabado as regalias de poder escolher comer tudo exceto carne.
Conto cada moeda e frequências que me restam. A dissolução do acordo fraternal, previsível e instável, levou tudo, depois de seis anos a negar o evitável; anos que se prenderam à todas as decisões tomadas, desde o momento em que os meus pais, acidentalmente, deram vida ao humano que me tornei, até milhares de dias atrás, minutos que antecederam a rutura. Mas não! Não é assim que se destrói, põe-se fim ao marco de toda uma tentativa de encontrar a felicidade e a paz, nos braços de quem só me teve por posse, como se de um escravo se tratasse a minha existência, tal como foram enjaulados os meus antepassados mais próximos, acorrentados e separados do que lhes era posse por direito de nascença, alguns dias antes do meu nascimento.
Ao olhar para o fumo que se dissipou por completo, vejo as arvores que ao de longe são menores do que o meu medo, mas ao de perto, são tão altas quanto ou mais do que a minha alma que clamou por ajuda, à minha mãe, se é que ainda a posso chamar mãe; à minha irmã, não tão adorada desde sempre; ao meu irmão, em quem me espelho inversamente; aos agiotas, que nunca soube onde encontrar; aos ladrões que guardaram o meu dinheiro todo, durante a vida que perdi; aos traficantes, de tudo e menos alguma coisa; aos assassinos, de sonhos e modos; aos meus amigos, envenenados pela mulher que me desposou outrora; aos que ajudei um dia, a troco de nada; e ainda assim, nem mesmo por não merecer um pingo de empatia, ainda assim, ninguém me estendeu a mão, exceto?
Exceto a única pessoa que em meio tempo passou a ver quem sou, e descobri que sempre foi tudo; o que se esconde por baixo da máscara, quem se esconde por baixo do olhar e dos sorrisos, muitas vezes falso, muitas vezes desnecessário, mesmo não podendo dar mais do que o último centavo que lhe resta, permaneceu aqui, ao lado, a segurar-me pela mão e pelo olhar, numa tentativa de reanimar o homem, mas não o que carrega entre as pernas a corda reprodutiva, e sim o humano que nunca deixou, e se nega a deixar de ser uma criança, a mesma que chora sempre que se lembra de todas as vezes em que quase morreu, e que também morreu um dia, mas voltou por ter encontrado a resposta para a continuidade da vida, a criança que tem, com o passar de cada ano, menos dias para chorar, enquanto se prepara para ser o motivo do choro de, talvez, menos pessoas do que consegue contar, com quatro dos seus cinco dedos da mão esquerda.
É assim que se destrói um homem. Enquanto como arroz, antes de me deitar e desejar acordar noutra manhã, até lá, permaneço de estômago vazio a tentar escapar da morte. E ervilhas, e alface no dia da erva, a não psicoativa, e cenoura no dia da cenoura, e cogumelos, não os mágicos, no dia da não cenoura. Porque quem jurou amar-me abandonou-me quando tudo ficou extremamente difícil e necessário. E todos os que me amam, ainda, os mesmos que deduzo que não sabem o que é amar, estão longe agora que estou mais perto da transcendência. E apesar de me ter afastado propositadamente, para desperdiçar comigo mesmo alguns poucos anos da minha vida, ainda assim, me sinto indigno de pena, dissociado de tudo o que é meu, não por direito de nascença, mas por direito de divindade, de criação, de clonagem da minha acidez desoxirribonucleica, e dos meus glóbulos falciformes, alimentados pelos açucares naturais do pouco que me resta para comer, e pela gordura, e músculos do meu sempre magro corpo.
E assim se mutila e assassina o homem, fazendo-o comer-se a si mesmo, do tutano dos ossos para fora, até que inclusive os sonhos se tornem o único alimento imaginável que lhe resta para adormecido energizar a vida.
Reinicia.
Com amor;
Aladino.
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2020.10.07 20:04 TheGza1 Empregado obriga criança negra de 11 anos a levantar blusa e provar que não furtou

Empregado obriga criança negra de 11 anos a levantar blusa e provar que não furtou submitted by TheGza1 to brasil [link] [comments]


2020.09.24 05:04 DrackNael Capítulo 5 A aldeia navajo

A aldeia navajo

Em algum lugar próximo a floresta no que aparenta ser uma aldeia indígena com cerca de 30 tendas colocadas todas em forma circular deixando apenas um grande espaço na parte da frente do terreno que possuía uma enorme fogueira e dava de frente para a entrada do lugar que não possuía portões más era todo cercado apenas sem cercas na parte da entrada. Onde um homem de pele avermelhada de cabelos brancos indicando sua idade já avançada já meio encurvado por causa da idade usando uma pele simples em suas costas e uma espécie de chapéu adornada com penas e galhos fazendo a forma de um falcão, está parado imóvel bem na entrada da aldeia com o olhar distante que observa toda a estrada que vai da aldeia, atravessando toda uma pradaria e adentrando a grande floresta a frente. Quando um homem se aproxima andando calmamente pelas suas costas, esse um pouco mais jovem, más também já de cabelos grisalhos, semelhante com o outro, mas esse possuía em sua cabeça um chapéu mais chamativo, feito todo de penas brancas presas a uma tira de couro com uma faixa vermelha nela.
-O que você vê Shaman? -, pergunta o homem mais novo que acabará de chegar.
-Hum! Não sei dizer, os espíritos não me mostram com clareza -, diz ele pensativo, - uma grande luz carregando uma grande escuridão, trazendo tristeza para o nosso povo -. Continuou o homem.
-Um inimigo? Um dos mercenários da floresta? -, pergunta o outro.
-Não sei dizer, os espíritos não me mostram com clareza, mas não me mostram intenções ruins -. Termina o homem se dirigindo para uma das tendas no centro, que chama atenção por ser adornada com penas e ossos de animais na sua frente.
Cerca de algumas horas depois sai da floresta o cortejo fúnebre puxado por Drack indo em direção da aldeia.
-Olhem ! -, alerta uma das pessoas da aldeia.
-Va chamar Nuvem Branca!-, diz outra.
Pouco depois o chefe sai de sua tenda que aparentava ter apenas um totem de cada lado da entrada.
-Chamem o Shaman-, fala ele chegando a entrada da aldeia e se dirigindo a um dos que estavam ali.
Enquanto isso o grupo chega a entrada.
-Quem é você cão branco? Por que puxa nossos irmãos mortos?-, diz um dos índios mais jovem parado ao lado do chefe parecendo estar com grande raiva.
-É , hum -, diz Drack sem saber o que dizer ao certo.
-Aqui-, diz Lobo Marrom do travois.
Enquanto o jovem se dirige a Lobo Marrom.
-Por Manitu Lobo Marrom o que aconteceu?-, diz ele em estado de surpresa.
Enquanto os outros índios iam puxando os cavalos para começar a tratar dos seus mortos, enquanto algumas mulheres choravam no fundo, e crianças eram colocadas para dentro das tendas, era uma cena desagradável para todos, jovens estarem mortos daquela forma.
Nisso o Shamam vinha se dirigindo ao encontro de todos.
-Lobo Marrom está ferido , levem-no para minha tenda-, diz ele dirigindo sua atenção a Drack, o olhando dos pés a cabeça , que ainda estava montado no cavalo e nem tinha se mexido para não fazer nada suspeito.
-Tratarei de Lobo Marrom e já vou ao encontro de vocês -, diz ele dirigindo-se a Nuvem Branca que estava parado ali prestando atenção em tudo e ainda não havia dito uma palavra, -Leve-o para sua aldeia Grande Chefe ja encontro vocês-, diz ele se dirigindo a nuvem branca e indo de volta para sua tenda para tratar Lobo Marrom.
-Por favor jovem me acompanhe -, diz o Chefe com o olhar suspeito para Drack.
-Sim senhor!-, diz ele descendo do cavalo lentamente e seguindo o homem, enquanto é observado por vários índios com olhar de ódio e raiva para cima do rapaz, com certeza só esperavam a ordem do chefe para partir pra cima do rapaz.
Drack segue Nuvem Branca que entra na tenda com os totens na frente, seguido logo atrás do rapaz, 2 jovens índios que o escoltavam com receio de que o rapaz pudesse fazer algo ao seu chefe. Quando Drack entra pode ver uma tenda de tamanho mediano , com o que parecer ser uma cama de peles na sua direita , um bau do outro lado , uma fogueira no centro da tenda e alguns adornos de peles e galhos no teto. O Chefe se senta do outro lado da entrada de frente para a pequena fogueira , onde aponta para Drack fazer o mesmo de frente para ele.Drack se senta e permanece em silêncio, obviamente o homem a sua frente era importante ali e ele não queria dizer nada idiota.
-Então meu jovem, conte sua história! -, diz o homem com um tom calmo.
Então Drack conta tudo que aconteceu desde a sua saída do mosteiro até a chegada na floresta e o encontro com Lobo Marrom e seus inimigos.
-O mosteiro dos cavaleiros renegados que fica no centro do Grande Lago de Calmaria? -, pergunta o homem confuso ,-não sabia que eles tinham levado crianças quando foram construir o lugar-. Completa o homem.
-Bem, na verdade não levaram , fui deixado la quando era apenas um bebê, eles me criaram desde então -, diz o rapaz ,- mas como assim cavaleiros renegados?-, termina ele.
-É uma história antiga de um grupo de cavaleiros brancos que abandonaram seu povo e foram se exilar naquela ilha -. Diz o homem, - mas não sei se a história é verdadeira , os brancos falam com lingua dupla muitas vezes-. Termina o homem se preparando para acender uma espécie de galho com uma ponta redonda onde tem algumas ervas.
-Não sabia disso , achava apenas que eram monges reclusos-. Diz o jovem confuso.
-Se eles não lhe contaram a história deviam ter seus motivos -, indaga o homem, -os homens que atacaram Lobo Marrom e seus irmãos eram brancos gananciosos que vieram para nossa terra explora-la e destruí-la -, continua o homem tomando um tom mais sério , -Eles não respeitam nada que a natureza nos da, só sabem destruir e explorar a natureza, estão destruindo a floresta toda, cortando suas árvores, sujando seus pequenos lagos, não sabem pegar apenas o que precisam para sobreviver , eles têm que destruir tudo até não restar nada , meu povo jurou defender essas terras a muitas luas atrás , há muito tempo fizemos um acordo com o rei dos homens para que essa floresta não fosse alvo de seus lenhadores , mas um dia ele morreu e o acordo já não servia para mais nada, pois como todos os homens brancos não tinham ninguém la para honra-lo , desde então viemos expulsando todos que entravam na floresta para explora-la, até a alguns meses atrás quando os mercenários da Black Marsh vieram, destruíram a aldeia de Buprewen chefe dos Apaches que ficava ao norte da floresta, seu líder é um homem muito poderoso chamado de MURTAUGH , dizem que ele arrasou a aldeia quase que sozinho , desde então pedi para meus guerreiros não terem conflito com eles até que pensássemos em algo , estava tentando um acordo com a tribo dos Xavantes ao sul minha mensagem partiu a alguns dias atrás , mas ainda não tivemos resposta , mesmo assim não penso que tenhamos algum guerreiro que possa derrotar Murtaugh, os homens brancos se tornaram fortes de mais para o meu povo -. Termina o homem com um tom triste,
-Más como um jovem como você pode derrotar 10 deles em poucos segundo? -, continuou ele.
-É bem ... -, começou Drack.
Quando entra na tenda o Shaman.
-Desculpem interromper-, começou ele , -Lobo Marrom me contou o que aconteceu, devo dizer também que fez um bom trabalho no ferimento dele , sem dúvidas salvou sua vida -, diz ele continuando , -Ele me disse que você veio da ilha dos monges e que não conhecia nada fora dela , sem dúvidas deve estar tão confuso quanto a gente com a sua chegada-. Termina o homem.
Nisso entra na tenda um dos jovens índios, o que havia se dirigido a Drack com ódio quando chegou.
-Pai temos que atacar o acampamento daqueles malditos, veja o que fizeram aos nossos irmãos-. Diz o rapaz com uma raiva incontrolável e uma fúria nos olhos, -i esse cão branco o que ainda faz aqui? O povo dele ainda não nos trouxe desgraça o suficiente ? -, diz ele se dirigindo a Drack com um ódio gigantesco no olhar.
-Calma Raoni -, diz Nuvem Branca com tom calmo, -Drack não é nosso inimigo, ele agora é um convidado da nossa aldeia, ele ajudou seus irmãos ao contrário do que pensa , vamos esperar a resposta dos Xavantes para tomar alguma ação sobre tudo isso-. Termina o chefe.
Mas Raoni tem o sangue de guerreiro nas veias , e guerreiros jovens sempre tendem a ter a cabeça quente.
-Todos os brancos são iguais -, diz ele com um tom grave saindo da tenda.
-Sinto muito por isso -, diz Nuvem Branca se dirigindo a Drack, -você é bem-vindo para ficar na nossa aldeia o tempo que precisar, não temos como agradecer pelo tanto que fez ao nosso povo , poderíamos ter perdido mais um filho ou só ter encontrado o corpo dos nossos jovens depois de várias luas , quando à terra já tivesse se alimentado de alguma parte -. Diz o sábio chefe.
-Eu agradeço , na verdade, eu gostaria de ficar um tempo, principalmente se poderem me ajudar a conhecer um pouco mais desse mundo -, diz Drack com certa esperança de que eles pudessem ensina-lo muitas coisas , principalmente depois de ouvir que o Shaman da aldeia usava magias, quem sabe poderia aprender alguma coisa.
-Claro , você é mais que bem-vindo -, começa o chefe , - Pedirei para o Shaman lhe responder às perguntas que o deixam confuso -, diz ele se dirigindo ao Shaman que estava parado ali do lado observando toda a conversa.
-Hum! também pedirei para arrumarem uma tenda para o nosso convidado -, diz o Shaman se dirigindo a saída da tenda fazendo um sinal para Drack acompanha-lo.
-Foi um prazer conhece-lo -, diz Drack fazendo um gesto de reverência e saindo da tenda.
-Espero que não se importe com meu pedido -, diz Drack se dirigindo ao Shaman que estava do seu lado.
-Hum! dissipar a nuvem da confusão das mentes das pessoas é meu trabalho , dom dado pelo grande espirito , não cabe a mim, reclamar das tarefas que ele me passa -, diz o homem se dirigindo a um grupo de jovens que estavam sentados em volta da grande fogueira afiando a ponta das suas lanças com uma pedra.
-Vejam alguma tenda que esteja livre , e peçam para alguém arruma-la para o nosso convidado -, disse o Shaman aos jovens, que se olharam todos confusos, mas depois dirigiram olhares furiosos para Drack. Que aparentou nem dar atenção, pois afinal só estavam chateados com o fato de seus amigos terem sido mortos e seu desejo de vingança ter sido cortado por Nuvem Branca.
-Então meu jovem que dúvidas você tem? -, diz o Shaman para Drack enquanto de ajeita em uma das pedras que são usadas como banco que ficam em volta da grande fogueira agora apagada, pois ainda era dia.
Aquelas palavras eram tudo que Drack queria ouvir , pois não existia alguém no mundo com mais perguntas em sua cabeça, ele pensou em milhares para fazer de uma vez, mas se acalmou e começo a pensar em ir por partes.
-Onde estamos ? -, pergunta ele.
-Hum! aqui é a aldeia do grande Chefe Nuvem Branca chefe dos navajos, ao redor de nós, está a grande floresta do caçador , o mosteiro que você vivia era chamado por nós de mosteiro dos cavaleiros renegados que fica no centro do grande lago de Calmaria , ao norte da floresta fica a cidade dos homens de Heisemburgh , todas essas terras fazem parte do reino dos homens brancos de Camelot -, diz o Shaman já saciando outras perguntar que poderiam vir do rapaz, já que ele aparentava mesmo não saber de nada.
-O que o senhor pode me dizer sobre magias ? -, pergunta o rapaz novamente , pois essa era uma oportunidade que ele não ia desperdiçar , ter alguém pra responde qualquer pergunta que ele tivesse.
-Hum! nós do povo indígena não usamos magia , usamos o dom dado a nós pelo grande espirito, magias são usadas pelos outros povos para criar destruição -, começou o homem ,- usamos o dom do grande espirito para curar os enfermos , pedir benção para que as caças sejam abundantes e e as plantações cresçam fortes , através de nossos pedidos o grande espirito nos concede nossos desejos se for de sua vontade , talvez na cidade dos homens alguém possa lhe dizer mais sobre magias, más não é o que eu e meu povo usamos -, termina o homem.
-Entendo -, diz o rapaz levemente decepcionado , não era a resposta que queria, talvez tivesse procurando um professor para ensina-lo , mas a resposta não era de toda inutil , pois como eram de outro povo e outra cultura , mostrava o quão interessante o mundo era , com várias formas diferentes de no fim fazer alguma coisa.
-O que é o grande espirito ? -, perguntou Drack.
-Manitu , o grande espirito indigena , ele é a força da natureza , é aquele que rege nosso mundo , manitu está em tudo e em todos , não tem como colocar em palavras sua essência -, diz o sábio.
Drack então imaginou que era como a energia , que estava em tudo e todos , e decidia as coisas, mas já era a segunda entidade que ele ouvia falar , e que talvez houvesse outros seres que comandavam o mundo.
-O que é a Black Marsh? -, perguntou novamente o rapaz.
-Hum! é um grupo de mercenários vindos da cidade de Heisemburgh , foram contratados por Tucker o dono da loja de madeiras da cidade para nos impedir de expulsar os lenhadores -, então o homem começa a ficar com um olhar distante olhando para o chão enquanto começa a falar, -mas creio que nossos problemas não são devidos apenas as árvores que eles derrubam como se não se importassem com a floresta , mas o metal dourado que encontraram perto da aldeia dos Apaches, a febre do metal dourado deixa os homens brancos loucos, eles destroem tudo por ele -, termina o homem.
Então Drack pensou que ele estava falando de ouro , que fora ensinado que era a moeda de mais valor no mundo , atrás depois vinham as moedas de prata e depois de bronze.
-Se acharam lá provavelmente pensam que tem por toda a floresta também , por isso são tão agressivos -, indaga Drack.
-Sim -, diz o homem cabisbaixo, - eles não vão parar até não sobrar nenhuma árvore ou escavar cada centímetro da floresta -. Termina o homem.
-Talves possamos falar com o governador de Heisemburg -, comenta Drack , que sabia como o sistema de administração de cidades funcionava , o governador era responsável por uma cidade e em todas as terras em volta dela.
-Ja tentamos enviar alguém , mas foi capturado pelos homens de Murtaugh na estrada , foi decapitado e sua cabeça colocada em uma estaca na beira da estrada como aviso -, diz o homem , -e um índio nunca vai entrar numa cidade de brancos e sair ileso -, fala o homem quando é interrompido.
-Porque todos os brancos são animais, não podem ver nada que querem tomar a força, acham que são os donos de todas as terras e todas as vidas , mas não são, isso acabara -, diz Raoni para os dois , furioso que um branco estava sentado em sua aldeia conversando como se nada tivesse acontecido, claramente culpando Drack pelos feitos de outros da mesma cor que a sua.
-Sinto muito pelos seus amigos, mas nem todos os brancos são iguais e eu não tenho nada a ver com o que aconteceu a seu povo -, diz Drack se levantando , pois sabia que não tinha nada a ver com aquilo e Raoni já o estava irritando , ele entendia a dor do rapaz, mas não precisa destratar alguém que claramente só ajudou.
-É o que veremos ! -, diz Raoni em um tom ameaçador enquanto se afasta dos dois.
-Ele é jovem tem sangue navajo nas veias , não suporta ver seus irmãos serem mortos e não puder vinga-los -, diz o shaman.
-Tudo bem , eu entendo , só não queria que ele pensasse que poderia passar por cima de mim atoa, sinto muito se o ofendi -, diz Drack.
-Tudo bem , você é jovem também -, comenta o homem.
Naquela noite a fogueira foi acesa , e os índios prepararam uma refeição, todos estavam ou tristes, ou furiosos , os olhos eram todos para Drack que estava sentado em volta da fogueira comendo o que parecia ser uma sopa com uns pedaços de cervo que fora caçado mais cedo pelos índios, até que Nuvem Branca se aproxima e se senta do lado do jovem.
-Sinto muito pelos olhares do meu povo, não sabem esconder seus sentimentos perante os da sua cor -, diz Nuvem Branca esperando que seu convidado não fique ofendido com um ato que era vergonhoso pra ele como chefe , já que Drack tinha sido convidado a ficar por ele mesmo.
-Está tudo bem grande chefe, entendo a dor deles e agradeço por me deixar ficar, mesmo estando em guerra com as pessoas da minha cor e agradeço também por me deixar tirar minhas dúvidas com o seu Shaman -, diz Drack grato.
-Pode me chamar de Nuvem Branca, você é um amigo do meu povo, eles logo verão isso -, fala Nuvem Branca com um tom amigavel , -E estamos em guerra com Black Marsh e Tucker, meu povo tem que aprender, como é que você disse? -, diz Nuvem Branca dando uma pausa , - "nem todos os brancos são iguais” não é mesmo -, diz ele em um tom de piada.
-É acho que sim -, diz Drack olhando para o fogo da fogueira e dando uma risada discreta de canto de boca.
Naquela noite Drack teve um pesadelo um pássaro de fogo vinha e pousava em seu ombro direito , mas depois de alguns segundos os dois incendiavam e viravam cinzas, e das cinzas levantava uma sombra negra gigante que se espalhava pelo mundo e engolia tudo. O rapaz acorda e vê que ainda esta no meio da noite, então resolve sair da tenda e dar uma caminhada para pensar melhor no pesadelo, pois era a primeira vez que algo do tipo acontecia e ele acordava no meio da noite todo suado. Então mais a frente o rapaz vê o Shaman parado olhando as estrelas , o jovem resolve se aproxima , quando…
-Pesadelo ? -, diz o Shaman mesmo sem ver que o rapaz se aproximava dele.
-Como ele sabe ? -, pensa Drack , sem dúvidas esse homem tinha dons também , só era muito modesto para falar sobre eles , fora o fato de que ele tinha sentido ele se aproximar sem ter feito nenhum barulho, -Sim, como sabe? -, pergunta então o jovem.
-Os espíritos me mostraram -, começou ele , - você tem um grande poder Drack, o maior que já foi visto nesse mundo, sem dúvidas é um grande dom , mas , você também possui uma grande escuridão dentro de si, não sei como é possivel , mas se você não conseguir se controlar ela o consumira -, diz o homem em tom de transe.
-Grande escuridão? -, pensa Drack , apesar de tudo incrível que acontecia com ele , ele nunca sentiu nada maligno.
Então de repente o Shaman para de ver as estrelas e olha para Drack.
-O que faz aqui fora? Não conseguiu dormir? -, diz o homem , como se tivesse esquecido que eles recém acabara de conversar.
Drack percebe que tinha sido algo especial que tinha acabado de acontecer então não questiona o homem.
-Sim ! -, responde Drack , - Vim pegar um ar só, para ver se o sono vem -. Termina ele.
-Então cuidado para não ficar doente , a noite esta fria ! -, diz o homem enquanto se afasta indo para sua tenda.
-Grande escuridão ! -, pensa Drack enquanto fica ali olhando as estrelas também , esperando o sono vim.
Alguns dias se passam, Drack continua tentando fazer amizade com alguns índios , sua presença agora não é mais tão incomoda quanto na sua chegada, era um rapaz gentil educado logo conquistava a todos, menos Raoni que estava sempre de olho no rapaz , com o passar dos dias Drack foi aprendendo alguns movimentos de combate com os índios, como usar um arco, coisa que Drack aprendeu rapido, pois tinha dom natural para coisas relacionadas a combate, aprendeu sobre ervas, animais , como caçar diferentes tipos de animais , até suas táticas de guerra e rastreio o jovem aprendeu. Já havia conquistado o respeito da grande maioria da tribo em questão de poucas semanas, nenhum incidente tinha acontecido mais, Lobo Marrom já havia se recuperado e tinha virado amigo de Drack, coisa que Raoni achava insuportável, até que um dia.
-Ele chegou , ele chegou - , diz uma voz do lado de fora da tenda de Drack.
O jovem sai da tenda para ver do que se tratava , era o mensageiro que Nuvem Branca havia enviado a tribo dos Xavantes, quando de repente.
-GUERRA !!!! -, grita o índio que acabava de chegar.
-IAAAHHIIIIIII -, berravam todos os índios, era seu grito de guerra, a hora da retaliação havia chegado.
Nisso da saída da sua tenda Drack olha pro lado e vê Nuvem Branca parado na frente de sua tenda , com um olhar pensativo e distante, talvez a guerra não era a melhor coisa pro seu povo , mas ele não podia fazer mais nada.
Naquela noite uma fogueira enorme foi acesa , tambores ecoavam por toda a floresta, os índios dançavam e gritavam em volta da fogueira, seus corpos completamente pintados, sem dúvidas eram um povo corajoso um povo guerreiro.
-Vamos matar seu povo o que acha disso? -, diz Raoni se dirigindo a Drack que estava parado ao lado de todos enquanto assistiam os guerreiros dançarem e comemorarem.
Mas Drack não responde.
No outro dia todos estão prontos para partida , 30 guerreiros todos a cavalo incluindo Nuvem Branca, Raoni e Lobo Marrom que estava ansioso por sua vingança com os mercenários, Drack se aproxima do grupo pronto pra guerra.
-Sinto muito meu amigo , mas você não pode ir conosco essa e uma batalha do meu povo ! -, diz Nuvem Branca a drack enquanto se dirige para falar a todos , -Encontraremos Chefe Hachita e seus homens na clareira do cervo , la nos juntaremos e decidiremos como vamos atacar o acampamento dos cães brancos -, enquanto se vira para partir em disparada com o grupo em direção a floresta.
-Contaremos pra você como foi nossa vitória em cima de seu povo ! -, diz Raoni em uma última provocação para o herói enquanto parte com o grupo.
Mas Drack não estava convencido da vitória de seus amigos.
-Faça o que achar certo ! -, diz o Shaman se aproximando por de trás de Drack e colocando sua mão em seu ombro esquerdo. Ele sabia o que passava na cabeça do jovem.
Então depois de algum tempo quando o grupo de guerra já havia sumido a alguns minutos na floresta , o jovem parte da aldeia a cavalo seguindo os rastros do grupo.
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2020.09.24 05:02 DrackNael Capítulo 1 Deixando o filho seguro

Deixando o filho seguro

Ano 441 da terceira era
Em algum lugar na terra
Uma grande tempestade assola um mosteiro em uma ilha no centro de um grande lago.
A silhueta escura de um homem aparece no pequeno celeiro que fica ao lado da única construção do local , parece segurar algo como um bebe em seus braços, enrolado em uma pequena manta de cor bordo , o bebe não aparenta ter mais que algumas semanas de vida
- sinto muito meu pequeno , gostaria de ver o homem que você se tornará -, sussurra o homem enquanto continua.
- trouxe você para longe, nesse mundo estará em segurança , mas nunca se esqueça você nasceu para ser um rei, que a luz esteja com você -, diz o homem beijando a testa da criança enquanto a coloca no canto em cima de um pouco de feno onde estará quente e segura até ser achada.
Mas, ao mesmo tempo ele sente a presença de algumas figuras atrás dele enquanto se vira lentamente.
- Não achei que demorariam tanto, pelo visto não são tão especiais quanto achavam -, diz enquanto observa serem 8 homens.
Todos com uma sombra negra em volta dos olhos, eles usavam um manto negro como a noite com um símbolo estampado na frente, todos pareciam portar as mesmas adagas emitindo uma aura negra de suas lâminas.
-As últimas palavras de um rei morto -, esbraveja um deles
- Veio longe de mais para esconder uma criança que já está morta -, fala outro
Um pequeno sorriso surge no canto esquerdo do rosto do homem aparentemente aquelas palavras não o colocaram medo muito menos desespero.
Mas ele sente uma fisgada em seu estomago , coloca a mão e vê um pouco de sangue nela , aparentemente tinha se esquecido que já tinha sido ferido um pouco antes.
-Coloquem-se no seu lugar lacaios logo mandarei vocês para o seu criador -, fala o homem disparando velozmente para cima dos dois primeiros que estavam mais próximos, mesmo ferido não parecia ser afetado por nenhum tipo de restrição para se movimentar.
Com uma disparada rápida acerta o estomago em cheio do primeiro com um soco o deixando sem ar , enquanto o segundo tenta uma estocada com a adaga indo bem no meio do seu rosto , mas com um movimento rápido o homem apenas desvia a arma com um sutil toque ao lado da mão do homem onde a desvia indo direto do lado do crânio do que estava encurvado sem ar.
Então sutilmente o homem coloca um dedo do lado da cabeça do homem e dispara um feixe de luz que atravessa seu crânio, caindo já sem vida.
Em questão de segundos os dois estão mortos.
Mas os outros não ficam apavorados algo diz que eles já esperavam que seu oponente não iria se entregar tão facilmente.
Então os seis avançam juntos para não dar chance alguma para o homem reagir , obviamente um movimento inteligente , mas parece que seu oponente não era qualquer um.
Com um movimento o homem conjura uma grande espada em suas costas já a sacando ao mesmo.
Com um movimento ele brande sua grande espada.
-LIGHT SLICER -, conjura ele .
Disparando uma habilidade horizontal cortante partindo os 6 homens no meio ao mesmo tempo.
-Não é uma cena muito bonita para um mosteiro -, pensa o homem.
Antes de partir o homem junta todos os corpos e com um simples movimento da sua mão evapora os corpos , pois afinal não podia deixar uma chacina para aqueles que achassem a criança.
Então com um movimento rápido o homem desaparece , deixando apenas brevemente um feixe de luz.
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2020.09.21 04:57 altovaliriano Stannis Baratheon (Parte 9)

Vamos fechar A Tormenta de Espadas.
Assim como ocorreu com a tomada de Ponta Tempestade, Stannis tem muitas recompensas narcísicas ao ajudar a Patrulha da Noite. Ele se instala na Torre do Rei (que não é nenhum trono de ferro, mas já significa algo), consegue uma vitória esmagadora, captura centenas de prisioneiros, enxerga oportunidades nos castelos e terras abandonados da Patrulha e encontra Jon Snow.
Sim, Jon Snow é tratado pelo Rei de Pedra do Dragão como um sinal de R’hllor, pois seus planos inicias limitavam-se em chegar até a Muralha:
Pode ser que me engane com você, Jon Snow. Ambos sabemos o que se diz dos bastardos. Poderá faltar a você a honra de seu pai, ou a perícia de seu irmão com as armas. Mas é a arma que o Senhor me deu. Encontrei-o aqui, tal como você encontrou o esconderijo de vidro de dragão aos pés do Punho, e pretendo usá-lo. Nem Azor Ahai venceu sozinho a sua guerra.
(ASOS, Jon XI)
Stannis também está novamente em seu ambiente, se preparando para uma guerra. Em vez de estar sentado, isolado, derrotado e tendo que decidir se sacrifica uma criança para realizar uma antiga profecia, Stannis está ouvindo relatos de primeira mão de pessoas que viram o inimigo em carne (gelo) e osso. Até pelo Portão Negro o rei se interessa.
Diferentemente de estar apático e entregando o controle dos homens a outras pessoas (como estava fazendo em Pedra do Dragão), Stannis volta a seu papel de comandante com punho de ferro. Os homens da Patrulha notam facilmente a diferença entre os homens do Rei e os homens da Rainha:
Aqueles eram homens do rei, porém; Sam rapidamente tinha aprendido a diferença. Os homens do rei eram tão terrenos e ímpios como quaisquer outros soldados, mas os da rainha eram fervorosos na sua devoção a Melisandre de Asshai e ao seu Senhor da Luz.
(ASOS, Samwell IV)
O sabor da vitória na Muralha também reaviva o senso de justiça de Stannis.
O Rei Stannis mantém bem os seus homens na mão, isso é evidente. Deixa-os saquear um pouco, mas só ouvi falar de três selvagens estupradas, e os homens que o fizeram foram todos castrados.
(ASOS, Samwell IV)
Vestido como um homem comum da Patrulha da Noite, pode-se dizer que o rei está de volta a sua confortável simplicidade. Entretanto, ainda usa um broche com seu coração flamejante.
Estava vestido com os mesmos calções, túnica e botas negras que um homem da Patrulha da Noite usaria. Só o seu manto o distinguia: um pesado manto dourado forrado de peles negras, e preso comum broche coma forma de um coração flamejante.
(ASOS, Jon XI)
Eu não saberia afirmar com certeza, mas ao falar apenas do pequeno broche sem mencionar a coroa, GRRM nos dá a impressão de que Stannis estaria menos disposto a ostentar símbolos religiosos que causassem estranheza. De fato, Stannis chega a Castelo Negro portando dois estandartes, um da Casa Baratheon e outro com o coração flamejante.
Flutuando sobre eles vislumbravam-se os maiores estandartes vistos até então, estandartes reais grandes como lençóis; um amarelo com longas pontas, que exibia um coração flamejante, e outro que era como uma folha de ouro martelado, com um veado negro empinando-se e ondulando ao vento.
Robert, pensou Jon durante um momento louco [...]
(ASOS, Jon X)
Eu não duvidaria que a idéia de usar ambos os estandartes tenha vindo de Davos, pois ele já observara que o veado coroado poderia funcionar para elevar o moral dos aliados da Casa Baratheon e intimidar inimigos:
No topo das ameias da Fortaleza Vermelha flutuavam os estandartes do rei rapaz: o veado coroado de Baratheon no seu fundo dourado, o leão de Lannister sobre carmim. […] O coração flamejante estava por toda parte, embora o minúsculo veado negro aprisionado nas chamas fosse pequeno demais para se ver. Devíamos ter hasteado o veado coroado, pensou. O veado era o símbolo do Rei Robert, a cidade rejubilaria ao vê-lo. Esse estandarte de um estranho só serve para colocar os homens contra nós.
(ACOK, Davos III)
Entretanto, convém observar que, aparentemente, o estandarte Baratheon clássico é maior do que o Coração Flamenjante:
O grande, o dourado com o veado preto, é o estandarte real da Casa Baratheon – disse Sam para Goiva, que nunca antes tinha visto bandeiras. – A raposa comas flores são da Casa Florent. A tartaruga é de Estermont, o peixe-espada é de Bar Emmon e as trombetas cruzadas pertencem aos Wensington.
São todos brilhantes como flores. – Goiva apontou. – Gosto daqueles amarelos, como fogo. Olhe, e alguns dos guerreiros têm a mesma coisa nas blusas.
Um coração flamejante. Não sei de quem é esse símbolo.
Descobriu bastante depressa.
(ASOS, Samwell IV)
O que isso quer dizer? Provavelmente nada, afinal Stannis ainda está firme me sua aliança com Melisandre.
Homens da rainha – disse-lhe Pyp […] -– mas é melhor que não ande por aí perguntando onde está a rainha. Stannis deixou-a em Atalaialeste, coma filha e a frota. Não trouxe mulher nenhuma além da vermelha.
(ASOS, Samwell IV)

É como dizem. Esta é que é a sua verdadeira rainha, e não aquela que deixou em Atalaialeste.
(ASOS, Jon XI)
O rei ainda fala em entregar prisioneiros às chamas como método de execução:
– Enquanto seus irmãos tentam decidir quem deve liderá-los, eu tenho falado com este Mance Rayder. – Rangeu os dentes. – Um homem teimoso, esse, e orgulhoso. Não vai me deixar outra escolha a não ser entregá-lo às chamas.
(Jon XI)
Inclusive, quando Jon Snow aponta que seus votos o impedem de aceitar a oferta de Stannis, Melisandre apresenta argumentos inteiramente baseados em sua fé e ainda fala em queimar represeiros, em um gesto explícito de intolerância religiosa, sem que Stannis lhe faça qualquer reprimenda.
R’hllor é o único deus verdadeiro. Um juramento prestado a uma árvore não tem mais poder do que um juramento prestado aos seus sapatos. Abra o coração e deixe que a luz do Senhor entre nele. Queime esses represeiros e aceite Winterfell como presente do Senhor da Luz.
(ASOS, Jon XI)
Então por que Stannis fica desconfortável quando Melisandre declama diante dos homens da Patrulha que ele é Azor Ahai renascido?
[...] todos pareceram surpreendidos ao ouvir Meistre Aemon murmurar:
A guerra de que fala é a guerra pela alvorada, senhora. Mas onde está o príncipe que foi profetizado?
Ele está na sua frente – declarou Melisandre –, embora não tenha olhos para ver. Stannis Baratheon é Azor Ahai regressado, o guerreiro do fogo. Nele, as profecias cumprem-se. O cometa vermelho ardeu no céu para anunciar a sua vinda, e ele traz a Luminífera, a espada vermelha dos heróis.
Sam viu que as palavras dela pareceram deixar o rei desesperadamente desconfortável. Stannis rangeu os dentes e disse:
Chamaram, e eu vim, senhores. Agora têm de sobreviver comigo, ou morrer comigo. É melhor que se habituem a isso.
(ASOS, Samwell V)
A resposta mais óbvia é a de que ser a reencarnação de um herói mítico o lembra dos problemas que ele enfrentou aproximadamente 1 mês antes em Pedra do Dragão, envolvendo o sacrifício de Edric Storm.
Como dito acima, Stannis parece estar confortável em seu antigo papel de comandante militar e rei. Nós vimos a mesma coisa acontecer após a morte de Renly. O que trouxe Stannis à Muralha foi mais o senso do dever do que as previsões de Melisandre.
Sim, devia ter vindo mais cedo. Se não fosse o meu Mão, poderia nem sequer ter vindo. Lorde Seaworth é um homem de nascimento humilde, mas recordou-me de meu dever, quando tudo aquilo em que eu conseguia pensar era nos meus direitos.
(ASOS, Jon XI)
Aparentemente, Davos foi muito competente em conciliar os deveres de Stannis como herói com suas obrigações como rei sem envolver de maneira alguma a profecia de Azor Ahai:
Tinha posto a carroça antes dos bois, disse Davos. Estava tentando conquistar o trono para salvar o reino, quando devia estar tentando salvar o reino para conquistar o trono. – Stannis apontou para o norte. – É ali que encontrarei o inimigo que nasci para enfrentar.
(ASOS, Jon XI)
Esta versão agnóstica de seu propósito de vida parece ter agradado bastante Stannis e se projeta para o futuro da história, como veremos em A Dança dos Dragões. Por isso os discursos de Melisandre sobre profecias orientais parecem um pouco fora do contexto quando ele fala aos irmãos negros.
É interessante notar também que pode ser simplesmente que Stannis continue cético quanto a ser Azor Ahai. Principalmente depois que Melisandre deixou ser enganada por Davos, bem de baixo de seu nariz. Aliás, se o cavaleiro das cebolas refletisse sobre o que a própria Melisandre lhe disse sobre o dom para ver as chamas, poderia até alegar para Stannis que a visão que ele viu no fogo deveria ser uma farsa. A sacerdotisa diz que a leitura das chamas requerem anos de prática e zomba de sor Axell por ter-se dito capaz (talvez porque tenha sido ela quem forjou imagens nas chamas enquanto mostrava a ele):
– O fogo é uma coisa viva – a mulher vermelha tinha dito, quando lhe pediu que o ensinasse a ver o futuro nas chamas. – Está sempre em movimento, sempre em mudança... como um livro cujas letras dança me se movimentam mesmo enquanto se está tentando lê-las. São precisos anos de treino para ver as silhuetas por trás das chamas, e mais anos ainda para aprender a distinguir as silhuetas daquilo que irá acontecer das que mostram o que poderá acontecer ou o que já aconteceu. Mesmo então, é difícil, difícil. Vocês, os homens das terras do poente, não compreendem. – Davos perguntou-lhe então como Sor Axell tinha aprendido tão depressa o truque, mas ao ouvir isso ela limitou-se a dar um sorriso enigmático e dizer: – Qualquer gato pode fitar uma fogueira e ver ratos vermelhos brincando.
(ASOS, Davos VI)
Porém, eu não acredito que seja o caso. Davos não deve ter feito esta conexão. Caso contrário, o comportamento de Stannis seria outro. O Baratheon do meio tem uma tolerância pequena a ser feito de bobo.
Os homens da Patrulha aprendem isso rapidamente com a eleição do novo Lorde Comandante. A demora na escolha deixa o rei furioso a ponto de Stannis fazer diversas ameaças e gestos tolos de vingança, como quando ele deixa os homens da Patrulha ajoelhados por muito tempo sem dar licença para que eles levantem da saudação.
O rei estava zangado. Sam viu-o de imediato. Enquanto os irmãos negros entravam, um a um, e ajoelhavam na sua frente, Stannis afastou o café da manhã de pão duro, charque e ovos cozidos, e olhou-os friamente. A seu lado, a mulher vermelha, Melisandre, parecia achar a cena divertida.
O Rei Stannis manteve os irmãos negros de joelhos durante um tempo extraordinariamente longo.
(ASOS, Samwell V)
O rei também já havia confidenciado a Jon Snow que iria sovar o novo Lorde Comandante a fim de instalar os selvagens na Dádiva:
Vou instalá-los na Dádiva, depois de arrancá-la de seu novo Senhor Comandante.
(Jon XI)
E completa:
Não sou um homem paciente, como os seus irmãos negros estão prestes a descobrir.
(Jon XI)
Mais tarde, Samwell usa estes posicionamento de Stanis para criar um boato de que o rei pretende ele mesmo nomear o próximo Lorde Comandante. Mas não só ele. Os rumores também estão sendo utilizados pelos apoiadores de Janos Slynt.
Se permitirmos que Stannis escolha nosso Senhor Comandante, transformamo-nos em seus vassalos em tudo menos no nome. Não é provável que Tywin Lannister se esqueça disso, e você sabe que será Lorde Tywin quem vai ganhar no fim. Já derrotou Stannis uma vez, na Água Negra.
(ASOS, Jon XII)
Porém, Stannis realmente planejava interferir na eleição da Patrulha?
O rei de Pedra do Dragão fez algumas ameaças contundentes aos irmãos negros que parecem indicar que ele está realmente disposto a interferir nas escolhas da Patrulha.
[...] Seus irmãos escolherão um Senhor Comandante esta noite, caso contrário eu farei desejarem que tivessem escolhido.
(ASOS, Samwell V)
Até mesmo depois de que o processo estava acabado, Stannis continuava ameaçando remover Jon do cargo caso fosse contrariado.
[…] Disseram-me que você é o nonocentésimo nonagésimo oitavo homem a comandar a Patrulha da Noite, Lorde Snow. O que você acha que o nonocentésimo nonagésimo nono diria sobre esses castelos? A imagem de sua cabeça em uma lança poderia inspirá-lo a ser mais prestativo. – O rei pousou sua brilhante espada sobre o mapa, ao longo da Muralha, o aço brilhava como a luz do sol na água. – Você só é Senhor Comandante com meu consentimento. É bom que se lembre disso.
(ADWD, Jon I)
O clima de interferência é tão intenso que isso torna verossímil os boatos que tanto Samwell quanto Alliser Thorne inventaram. Porém, também é forte entre os irmãos a noção de que a interferência é ilegal, como afirma Denys Mallister.
Concordo que seria um dia negro na nossa história se um rei nomeasse o nosso Senhor Comandante.
(ASOS, Samwell V)
Então como explicar que uma pessoa reta como Stannis estaria tentando fazer manobras ilegais para obter um homem que lhe fosse favorável no comando da Patrulha? A resposta é bastante óbvia: ele não está.
Stannis sabe que, se quisesse, poderia facilmente dobrar a Patrulha.
Eu tenho três vezes mais homens do que vocês. Posso ocupar as terras, se quiser, mas preferiria fazer isso legalmente, como seu consentimento.
(ASOS, Samwell V)
Todo este som e fúria de ameaças e protestos são o modo que Baratheon encontrou de fazer com que a burocracia dos irmãos negros não atrapalhe a campanha que ele mal iniciou.
A Senhora Melisandre disse-me que ainda não escolheram um Senhor Comandante. Estou descontente. Quando tempo mais esta loucura vai durar? […] Tenho cativos cujo destino deve ser decidido, um reino que precisa ser posto em ordem, uma guerra a travar. Escolhas têm de ser feitas, decisões que envolverão a Muralha e a Patrulha da Noite. Por direito, o seu Senhor Comandante deveria ter algo a dizer nessas decisões. [...] Se por acaso Lorde Janos aqui for o melhor que a Patrulha da Noite tema oferecer, rangerei os dentes e engolirei esse fato. Não me importa nada quem de seus homens será escolhido, desde que façam uma escolha.
(ASOS, Samwell V)
O rei fala isso mais de uma vez.
Poupe-me de sua bajulação, Janos, que não lhe servirá de nada. […] – Não é meu desejo imiscuir-me em seus direitos e tradições.
(ASOS, Samwell V)
Quanto a Stannis ter mostrado inclinação a retirar seu consentimento com a escolha de Jon, literalmente ameaçando matá-lo, deve ser observado que Stannis poderia ter cumprido suas ameaças naquela oportunidade, mas não o fez. Baratheon provavelmente estava querendo descontar a rasteira sofrida Jon ter sido eleito antes mesmo de aceitar ou negar a oferta de se tornar Senhor de Winterfell. Por isso, todas as ameaças que fez foram vazias, assim como são quase todas, segundo Melisandre:
A mulher vermelha desceu a escada ao lado deJon. – Sua Graça está gostando cada vez mais de você.
Percebi. Ele só ameaçou cortar minha cabeça duas vezes.
Melisandre riu.
São seus silêncios que você deve temer, não suas palavras.
(ADWD, Jon I)
Antes de encerrar as análises de A Tormenta de Espadas, eu gostaria de lhes deixar com um pequena questão que eu não soube responder:
Por que Stannis lembra Catelyn a Jon?
Mas não foi o rosto de Lorde Eddard que viu flutuando na sua frente; foi o da Senhora Catelyn. Com os seus profundos olhos azuis e a boca dura e fria, parecia-se um pouco com Stannis. Ferro, pensou, mas quebradiço. Ela o olhava daquela maneira como costumava olhá-lo em Winterfell, sempre que ele se sobrepunha a Robb nas espadas, nas somas, ou em qualquer outra coisa. Quem é você?, sempre lhe parecia que aquele olhar dizia. Este não é o seu lugar. Por que está aqui?
(ASOS, Jon XII)
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2020.09.04 05:42 SpeedHS11 Edgar Allan Poe - O Gato Preto e Outras Histórias

Edgar Allan Poe - O Gato Preto e Outras Histórias (editora PandorgA) 
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Este livro contém 4 contos:
- o gato preto (1843)
- Ligeia (1838)
- a queda da Casa de Usher (1839)
- pequena conversa com a múmia (1839)

O Gato Preto (1843) 
''NÃO ESPERO NEM PEÇO que acreditem neste relato estranho, porém simples, que estou prester a escrever. Louco seria se eu o esperasse, em um caso onde meus próprios sentidos rejeitam o que eles mesmos testemunham.''
Faço das palavras de Poe as minhas, o conto começa com Poe falando de sua paixão por animais, e que sempre foi mimado pelos pais em relação à isso, o conto carrega toda uma história por trás, a começar pelo nome Plutão, que é o apelido de Hades (deus dos mortos), a cor preta, a superstição de que gatos pretos seriam bruxas disfarçadas e também a ideia de sete vidas dos gatos, todas essas características se encaixam perfeitamente no enredo do conto.
Com o passar do tempo, Poe foi mudando para uma pessoa pior, graças ao alcoolismo, se tornando mais melancólico, irritável, e indiferente às todos ao seu redor, menos ao gato, porém isso não durou muito tempo e o gato agora também passara a sofrer assim como todos os outros com as atitudes de Poe.
Quando Poe voltava para casa após mais uma noite de puro alcoolismo, percebeu que Plutão evitava-o, percebendo isso tratou de agarrar o gato, porém, o gato ficou assustado (com razão) e acabou dando uma pequena mordida em sua mão, isso despertou uma fúria (como o próprio Poe diz, demoníaca) e ele acaba por arrancar o olho do gato com um canivete que estava em seu bolso.
''de fazer o mal pelo único desejo de fazer o mal'' E foi assim que Poe fez o que ele julgava errado mas fez. Em uma manhã fria ele enforcou e matou o gato, no galho de uma árvore enquanto lágrimas escorriam de seus olhos, segundo as próprias palavras de Poe: ''enforquei-o porque sabia que assim fazendo estava cometendo um pecado - um pecado mortal, que comprometeria então minha alma importal e a colocaria - se tal coisa fosse possível - além do alcance da infinita misericórdia do Deus mais misericordioso e mais terrível.'' A noite do mesmo dia terminou com a casa de Poe em chamas, a cortina de seu quarto pegou fogo e por pouco conseguiram sair todos vivos e a casa acabou completamente destruída.
No dia seguinte ao incêndio, quando Poe visita as ruínas do que sobrou de sua casa, todas as paredes com exceção de uma tinham desabado e justo nessa única parede que não havia sido destruída completamente, estavam as palavras ''estranho!'', ''singular!'' e outras expressões similares, que despertaram a curiosidade de Poe, porém, o que mais o intrigava era o fato de que nessa mesma parede havia a figura de um gato de um gato gigantesco e havia uma corda ao redor do pescoço do anomal, Poe criou uma grande explicação para o ocorrido e se deu por satisfeito, embora dessa forma tenha prontamente satisfeito a razão, ele não poderia dizer o mesmo quanto à sua consciência.
Sem mais nem menos, surge um gato preto extremamente parecido com Plutão, no meio da noite em mais um dia de bebidas de Poe, os dois acabam gostando um do outro e assim, o gato segue para a casa de Poe e logo se familiariza com a casa e a esposa. Aos poucos por alguma razão Poe começou a sentir uma aversão ao gato, o fato do animal não ter um olho e a marca no peito do gato que antes era indefinida, mas agora essa marca branca passa a ser a imagem do enforcamento, contribuiram para essa aversão.
Certo dia enquanto ia para o seu porão, o gato mais uma vez o seguia e acompanhava-o, desta vez o gato acompanhava Poe enquanto descia as escadas e quando o fazendo cair, isso despertou uma fúria demoníaca em Poe, que na mesma hora pegou seu machado, quando estava pronto para matar o animal sua mulher interviu, desviando o golpe, sem pensar Poe enfiou o machado na cabeça de sua mulher, ela caiu morta sem sequer gemer.
Poe agora precisava se livrar do corpo, pensou e chegou na conclusão que deveria emparedá-la no porão, o que ele fez foi retirar os tijolos de um ponto da parede que havia uma saliência de uma falsa chaminé e fez no final das contas um ótimo trabalho.
O gato obviamente assustado com a situação fugiu e nunca mais voltou, isso despertou uma sensação de alívio em Poe, ele se sentia um homem livre, a sua consciência em relação sua mulher, pertubava- o pouco. No dia seguinte policiais foram até a casa fazer uma última busca e quando já estavam prestes a ir embora, Poe cita o quanto aquele porão fora bem construído e acaba por bater na parede com a bengala que segurava, na qual estava o cadáver de sua mulher do coração.
O eco da batida nem tinha acabado de soar quando uma voz de dentro respondeu com um uivo, como se tivesse vindo do inferno, com isso Poe quase desmaia até a parede do lado oposto, o cadáver ''com a boca vermelha escancarada e o olho solitário de fogo, estava sentada a criatura hedionda cujos ardis tinham me seduzido ao assassinato, e cuja voz delatora havia me condenado à forca. Eu tinha emparedado o monstro dentro da tumba!''
Ligeia (1838) 
O conto começa com Poe lembrando-se de Ligeia, fazendo grandes elogios e lembrando-se apenas que a encontrou pela primeira vez em alguma grande e decadente cidade às margens do Reno. Poe não se lembra do nome de sua família.
''Não existe beleza rara sem que haja algo de estranho em suas proporções''. Poe segue exaltando Ligeia: Alta, porte majestono, a quietude complacente de seu comportamento... A pele rivalizava com o mais puro marfim, a imponente fronte sobressaindo e a delicada proeminência acima de suas têmporas, as brilhantes e negras madeixas, negras como as asas de um corvo, luxuriantes cachos naturais, suas linhas delicadas do nariz, as covinhas, os olhos bem maiores do que o comum, a magnífica curvatura do lábio superior e o aspecto suave e voluptuoso do inferior. Ele se lembra de seus olhos, incríveis e incomuns, largos e luminosos, e sentiu fortes sentimentos ao lembrar de seus olhos, que só sentiu os mesmos sentimentos raramente quando: viu o crescimento de uma videira, numa mariposa, uma borboleta, um fluxo de água corrente...
Poe lembra dos primeiros anos de casamento, em que ele confiava em Ligeia em nível de confiança semelhante à de uma criança, a ser guiada por ela, em um caótico de investigação metafísica em que se achava ocupado durante os primeiros anos de casamento. Enquanto Poe acompanhava de perto a morte de Ligeia na cama, ela demonstra todo a sua paixão e pede a Poe que leia alguns de seus versos, logo após Poe terminar a leitura, Ligeia ergueu-se e teve espasmos, e então, abaixou os braços retornando ao leito de morte e morreu.
Meses depois do ocorrido, Poe, compra uma abadia em um lugar remoto da Inglaterra se casa com Lady Rowena, no primeiro mês de casamento ela temia o violento mau-humor de Poe seu temperadomento, que tanto evitava e amava. No segundo mês de casamento Lady Rowena fica doente e demora para se recuperar até que um segundo e mais violento acesso a acometeu, colocando-a de volta à cama em sofrimento, ela começa a ficar doente de forma mais grave e reccorente, Poe então decide dar uma taça de vinho para recuperá-la, foi aí então que ele ouviu passos leves sobre o carpete próximo a cama, e então quando Rowena estava prestes a bebero cálice, ele viu caindo dentro da taça, três ou quatro grande gotas de um brilhante líquido, porém ele achou que fosse tudo imaginação e não mencionou o fato à ela, algum tempo depois ela morre e seu corpo é preparado para o túmulo.
Com o tempo, Poe percebe que suas bochechas voltam a ficarem vermelhas, durante alguns dias ele escuta alguns sons do cadáver e havia até mesmo uma leve pulsação de seu coração, ela estava viva, porém, sempre indo e voltando da morte, com grandes sinais à prova, mas Poe não se importava e estava cansado das violentas emoções.
De repente, ela ergue-se da cama, cambaleando de olhos fechados avanã para o meio do quarto, Poe se aproxima e toca, fazendo assim cair os tecidos sinistros que a enrolavam, revelando assim seus cabelos negros, mais negros que as asas de um corvo da meia-noite e os grandes olhos, grandes, negros e selvagens de seu perdido amor, Lady Ligeia.
A queda da Casa de Usher (1839) 
Poe percorri de cavalo um caminho escuro, chegando à casa de Usher (sua caraterística principal era parecer excessivamente antiga) ele sente uma sensação de insuportável melancolia invadir seu espírito, ele chega até a sala grande e imponente em que Usher (um dos únicos amigos de infãncia e adolescência de Poe) estava, Usher então se levanta do sofá e o comprimenta calorosamente. Com sua voz que variava rapidamente de um indecisão trêmula até uma forma pesada e lenta de falar, ele contou sobre o objetivo da visita e do consolo que ele esperava sentir com a presença de Poe e abordou a causa de sua doença, disse que era um mal constitucional e familiar para o qual ele já não tinha esoerança de encontrar uma cura.
Ele sofria de um aguçamento mórbido dos sentidos: só suportava as comidas mais insípidas, só podia uisar vestes de certa textura, o cheiro de todas as flores o oprimia, uma mera luz fraca torturava seus olhos e somente alguns sons não lhe inspiravam horror. Poe percebe pouco a pouco por meio de alusões entrecortadas e ambíguas, ele estava dominado por certas impressões supersticiosas com relação ao imóvel onde vivia e de onde, por muitos anos, nunca havia se aventurado a sair, superstições acerca de uma influência cuja força hipotética foi descrita em termos muito obscuros para ser relatada aqui e a aproximação evidente e iminente da morte de sua querida e amada irmã, lady Madeline.
Lady Madeline tinha uma apatia, uma devastação física lenta e gradual, e frequentes afecções de um caráter parcialmente cataléptico. Até então, lutara com firmeza contra a doença e não se entregara à cama, mas, ao final da noite, ela sucumbiu e Poe nunca mais a veria a mesma dama pelo menos enquanto vivesse.
Usher declarou que tinha a intenção de preservar o corpo da irmã por quinze dias (antes de finalmente sepultá-la), em uma das várias câmara que existiam dentro dos muro principais da casa, a razão era o caráter incomum da morte da falecida e as inevitáveis perguntas inoportunas e impulsivas por parte dos médicos, Poe ajuda pessoalmente nos preparativos do sepultamento temporário, levam ao à uma câmara que estivera fechada por muito tempo e lá é revelado que Usher e sua irmã eram gêmeos.
Uma noite tempestuosa, ma terrivelmente bela invadiu o quarto quase erguendo-os do chão, um vapor agitado subia pela casa e a encobria como uma mortalha, Poe logo retirou Usher de perto da janelo e colocou-o na poltrona, lendo um de seus romances favoritos: ''O Louco Triste'' de Sir Launcelot Canning.
Ao terminar a leitura, em que um escuto havia caído sobre um piso de prata, Poe, como escuta como se relamente um escudo de bronze tivesse caído com todo seu peso sobre um pavimento de prata. Quando Usher é questionado por Poe sobre o barulho, Usher: ''Sim, eu ouço e tenho ouvido. Por muito... muito... muito tempo... por muitos minutos, muitas horas, muitdos dias ouvi... Nós a colocamos viva no túmulo! INSENSATO! ESTOU LHE DIZENDO QUE ELA AGORA ESTÁ DO OUTRO LADO DA PORTA!''
Como em um passe de mágica, a porta para que Usher apotava abriu lentamente, e lá estava a figura alta e amortalhada de lady Madeline Usher. Então, com um lamento baixo, desabou pesadamente sobre o corpo do irmão, e em sua agonia final, arrastou-o para o chão, morto, vítima dos terrores que havia previsto.
Poe então foge horrorizado daquele quarto e daquela mansão, de repente, uma luz forte surgiu no caminho, era a luz da lua cheia, um vermelho escalarte que brilhava através daquela rachadura na mansão e que se estendia até do telhado até o chão. Dali veio um sopro forte do redemoinho, as grandes paredes desabavam enquanto se ouvia uma demorada e tumultuada gritaria, como se o ruído viesse de mil aguaceiros, e o lago profundo e gélico aos seus pés se fecharam, de forma sombria e silenciosa, sobre os destroços da ''Casa de Usher''.
Pequena Conversa Com a Múmia (1839) 
O simpósio (festa após um banquete) da noite anterior tinha sido demais para Poe, com uma dor de cabeça miserável e caindo de sono preferiu fazer uma última refeição antes de dormir (Welsh rabbit). Porém, ainda não completara o terceiro ronco quando a camapinha começa a tocar furiosiamente, era um bilhete do doutor Pononner, que dizia que obteve o consentimento dos direitos do museu da cidade para examinar uma Múmia, em um salto se levantou da cama rumo à casa do doutor.
Chegando na casa do doutor ele encontrara um grupo ansioso e a Múmia, encontrada às margens do Nilo, estendida sobre a mesa de jantar, acâmara onde fora encontrada a Múmia era rica em ilustrações, isso indicava uma vasta riqueza do morto. Encontraram o corpo em ótimo estado de preservação, sem nenhum odor perceptível, cor avermelhada, olhos removidos e substituídos por olhos de vidro, cabelos e dentes em boas condições. Quando perceberam que já passava de duas horas da manhã, decidiram adiar a dissecação até a noite seguinte, porém, alguém surgiu com a ideia de fazer um experimento com a pilha de Volta (aplicar eletricidade).
Prestes a ir embora, Poe se depara com as pálpebras da Múmia coberta pelas pálpebras, depois do choque inicial decidiram prosseguir com um novo experimento, e, durante o mesmo, a Múmia desfere um pontapé no doutor Ponnonner que foi lançado à rua janela abaixo. Depois de iniciarem o teste elétrico a Múmia espirrou, sentou e se dirigiu aos senhores Gliddon e Buckingham com um egípcio perfeito um discurso, neste discurso ele reclamou de ser despido num dia frio e da forma como fora tratado.
Gliddon fez um discurso em que citava principalment os enormes benefícios que a ciência podera obter com o desenrolamento e a evisceração das múmias e aproveitou o momento para se desculpar por qualquer incômodo que pudéssemos ter causado à múmia Allamistakeo, reparando que ela estava se tremendo de frio, o doutor correu e logo voltou com uma casaca preta, um par de calças xadrez azul-celeste, uma camisa xadrezinha cor de rosa, um colete de brocado com abas, um sobretudo branco, uma bengala de passeio, um chapéu sem aba, um par de botas de verniz, um par de luvas de pelica cor de palha, um monóculo, um par de suíças e uma gravata cascata.
Seguiu-se uma série de perguntas e de cálculos pelos quais se tornou evidente que a antiguidade da múmia tinha sido muito mal avaliada, haviam passado cinco mil e cinquenta anos e alguns meses desde que ela tinha sido despachada. Logo depois a múmia explica o princípio fundamental do embalsamento e que gozava de ter o privilégio de ter nas veias sangue do Escaravelho, pois só assim teria o direito em sua época de ser embalsamado vivo. O Escaravelho era o brasão, as ''armas'' de uma família muito nobre e muito distinta, pois era comum se retirar o cérebro e as vísceras do cadáver antes de embalsamá'lo, só o clá dos Escaravelhos não seguia essa regra.
''Veja nossa arquitetura!'' gritava Ponnonner. ''A Fonte Bowling-Green!Ou, se esse espetáculo e imponente demais, contemple por um instante o Capitólio, em Washington, D. C.! E o bom doutorzinho chegou até a detalhar de forma minuciosa as proporções do edifício a que se referia. Explicou que o pórtico era adornado com não menos que vinte e quatro colunas, cada uma com um metro e meio de diâmetro e colocadas a três metros de distância umas das outras.
O conde respondeu que lamentava não se lembrar das dimensões precisas de nenhum dos edifícios principais da cidade de Aznac, cuja fundação se perdia na noite dos séculos, mas cujas ruínas permaneciam ainda de pé, se lembrou de ter visto um palácio secundário que tinha cento e quarenta e quatro colunas, com onze metros de circunferência e sete metros de distância entre cada uma delas, o acessoa esse pórtiro, vindo do Nilo, era feito através de uma avenida de três quilômetros, composta por esfinges, estátuas e obeliscos de seis, dezoito e trinta metros de altura. O palácio em si tinha, só em uma das direções três quilômetros de comprimento e deveria ter, ao todo, uns onze de circuito. As paredes eram ricamente decoradas, por dentro e por fora, com pinturas hieroglíficas. Ele não pretendia afirmar que até cinquenta ou sessenta dos Capitólios do doutor poderiam ter sido construídos dentro dessas paredes, mas que tinmha absoluta certeza de que duas ou três centenas deles se espremeriam ali com alguma dificuldade.
Nisso se seguiu a noite com os cavalheiros fazendo perguntas complexas ao egípcio, que respondia todas surpreendentemente bem, os cavalheiros não sabiam mais que perguntas fazerem, pois, a cada pergunta que faziam, o egípcio respondia todas e simplesmente os calava com sua superioridade egípcia em basicamente todas as áreas mencionadas pelos cavalheiros ali presente.
Porém, quando estavam prestes a serem derrotados intelectualmente, Ponnonner perguntou se as pessoas no Egito realmente pretendiam rivalizar com as pessoas modernas, na importantíssima questão do vestuário. O conde então olhou para os suspensórios de suas calças e, segurando a ponta de seu fraque, segurou-os perto dos olhos por alguns minutos. Deixando-os cair finalmente, sua boca escancarou-se gradualmente de uma orelha à outra, mas não me lembro se respondeu alguma coisa.
O egípcio baixou a cabeça. Nunca houve um triunfo tão completo, nunca antes a derrota foi assumida com tanto despeito, Poe pega seu chapéu e parte para casa. Chegou em casa depois das quatro horas da manhã e foi-se deitar, agora eram dez horas da manhã com Poe escrevendo estas lembranças, ansioso para saber quem será o Presidente em 2045, iria procurar o doutor Ponnonner e pedir para que seja embalsamado por alguns séculos.
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2020.09.01 14:32 Des777soc Pantera Negra: O filme que nega e rememora o Partido dos Panteras Negras (um texto para quem já assistiu o filme)

Não tenho aqui a pretensão de fazer uma review do filme em seus aspectos cinematográficos, uma vez que tantos outros o farão de forma mais habilidosa, mas gostaria de abordá-lo em uma perspectiva política apontando a distonia entre o que inspira o filme e o que o filme busca inspirar, tudo entremeado pelos atropelos destes tempos de Temer e intervenção federal no Rio.
Começo desembaraçando a origem do personagem ficcional Pantera Negra que debutou no volume #52 do Quarteto Fantástico (Marvel Comics) de julho de 1966, sendo este o Rei T’Challa, protetor da nação ficcional de Wakanda. PHD em física por Oxford, inventor, cientista, político, estrategista e hábil caçador e para quem não sabe ainda, um homem negro. Transposto para a realidade, poderíamos considerar seu equivalente um dos fundadores do Partido dos Panteras Negras, uma organização socialista revolucionária, fundada por Bobby Seale e Huey P. Newton quatro meses depois do debut da criação de Stan Lee e Jack Kirby em outubro de 1966, esta exerceu primeiramente a função precípua de formação de milícias populares para monitoramento do comportamento dos oficiais do departamento de polícia de Oakland, Califórnia. Considerarei para a seguinte analise o arquétipo incorporado por Huey P. Newton, PHD em filosofia social, bolsista da UCLA, assassinado a tiros em 1989.
Partimos, portanto, do fato de que ambos (T’Challa e Huey) enquanto homens adultos, em um patamar educacional acima da média, líderes de comunidades negras, as coincidências acabam por aí (continuo mais a frente). Neste ponto apresento a outra metade da equação cinematográfica, Erik Stevens (Killmonger) o vilão encarnado por Michael B. Jordan, um órfão que emerge da máquina de guerra do império, um mercenário cujo único intento é vingar-se da morte do pai.
T’Challa encarna o herdeiro de uma nação superdesenvolvida no coração da África, se utiliza de um mineral raríssimo enquanto combustível possibilitando Wakanda a dar saltos tecnológicos muito a frente do “Ocidente” ao passo que se utiliza dessa mesma tecnologia para manter a nação oculta aos olhos dos colonizadores brancos. Uma alegoria do que a civilização africana poderia ter sido se jamais colonizada, que Disney agora vende como uma fantasia do que se permite ao espectador sonhar.
Erik Stevens (Killmonger) se apresenta como o brutamontes raivoso criado no gueto, conta vantagem de um sem números assassinatos, não esboça qualquer sentimento ao assassinar sua companheira por atrapalhá-lo em uma missão, facilmente transmutável num thug de gangsta rap ou num mano traficante do Rio, a personificação estrita de um bandido como se dá em “bandido bom é bandido morto” mas para ser assistido nos EUA, no Brasil e na China. Ele tem o único propósito de se utilizar da tecnologia de Wakanda para criar uma nova ordem, onde sob seu comando o ocidente será submetido aos mesmos horrores a que ele e toda sua gente foram submetidos. Obviamente que o mero esboçar desses horrores já fazem o espectador médio tomar partido.
A oposição entre os dois personagens (T´Challa e Killmonger) se dá de forma propositalmente unidimensional assim não é permitinda a dialética entre esses dois conhecidos espantalhos, o do escoteiro e o hooligan. T’Challa é intransigente quanto ao fato de não querer permitir que outros povos negros se utilizem da tecnologia criada em Wakanda para sua própria emancipação, isso se dá por princípios, entre os quais o da manutenção da tradição (sendo Wakanda uma monarquia tribal de caráter hereditário, cuja única forma de alternância no poder se dá através de uma luta ritual com outro líder tribal até a morte), portanto, não estamos falando de nenhuma democracia e o segundo princípio, o do nacionalismo, tantas vezes incorporado no grito de guerra “Wakanda para sempre” e pelo reconhecimento xenofóbico da dificuldade de se receber pessoas negras que não possuam a tatuagem signo da nação, algo que não impede a entrada do homem branco (ainda por cima um agente da CIA), em síntese, uma monarquia tribal nacionalista que se nega a prestar auxílio aos seus (descendentes, expatriados) em todo o mundo com base num princípio de centralização do poder e autopreservação. A possibilidade de apresentar uma nação negra ultra futurista como um exemplo de democratismo pleno e baseada em valores comunistas é algo que extrapola a criatividade de Disney e mesmo da Marvel Comics.
Killmonger é a revolução sem teoria, um anarquista que não vê as consequências de quebrar a máquina sem ter ideia do que a substituiria, o esquerdismo em um estado primitivo que Disney nos rememora que deve sempre ser temido, T’Challa é o intelectual orgânico que trabalha pelo status quo, tem a tecnologia, os fundos e poder centralizado em suas mãos e com estes luta pela manutenção das instituições burguesas.
Onde resta Huey P. Newton em toda essa fantasia? Um homem negro, socialista revolucionário, PHD em filosofia, que implementou programas comunitários de segurança alimentar para crianças e idosos, clínicas de saúde gratuitas, até mesmo uma escola dos Panteras Negras, esforços que no Brasil só podem ser comparados aos do MST. Em relação a esses dois espantalhos a quem ele mais se assemelha? O fim de qual dos personagens coincide com o do líder dos Panteras Negras? https://www.nytimes.com/1989/08/26/us/arrest-in-murder-of-huey-newton.html
Huey, esse personagem histórico que sucede o ficcional, a meu ver é repartido propositalmente em dois de forma irreconciliável na adaptação cinematográfica dos quadrinhos, ao ponto de alienar qualquer representação da crua realidade do enfrentamento dos Panteras Negras contra o establishment norte americano em sua incorporação pelo aparelho policial.
Por fim T’Challa fere de morte Killmonger num prolongamento do processo de sucessão que restou aberto por sua sobrevivência graças a interferência do sacerdote real, juiz do processo (manobra formal via STF?). T’Challa resgata a humanidade de Killmonger através de sua subjugação e o permite assistir um último pôr do sol em Wakanda, um vislumbre do devir que deveria se estender a todos.
Morto o revolucionário, reafirma-se o conservadorismo, a tradição e vivem felizes para sempre em seu paraíso artificial? Não. Qual o motivo para isso, se há algo ainda mais reacionário a se fazer? T’Challa vai a ONU entregar todos os segredos tecnológicos num grande ato de desprendimento, onde veremos um bando de líderes mundiais imensamente felizes, asiáticos, latinos, africanos…, mas ninguém que se assemelhe a Trump, Merkel ou Netanyahu. Tamanho desprendimento é impensável e por isso é facilmente encarado com candura pelos espectadores, entretanto, no dia 26/02/2018 vimos em primeira mão a transposição da fantasia para o mundo real na ainda mais inacreditável e absurda filantropia do governo Temer ao doar a Embraer para a Boeing.
Huey Newton não é lembrado nem como easter egg, personagem de fundo, pichação na parede, mas o mais aviltante, também não é permitido a Killmonger se assemelhar a ele, assim os Panteras Negras foram lembrados apenas por serem homônimos, uma coincidência abusada pelos direitistas que fingem terem sido violentados nas filas para o filme e pela esquerda pequeno burguesa que comemora um filme com staff predominantemente negro e a fantasia boba da Shangri-la no distante continente natal, motivo pelo qual foram criados memes que inundam as redes sociais americanas. Mas os Panteras Negras foram também lembrados pelos movimentos negros socialistas que se aproveitaram das grandes filas do recordista blockbuster da Marvel para fazerem protestos pela libertação dos 16 Panteras Negras que ainda permanecem presos, assim como da morte dos 8 integrantes que faleceram na prisão.
Os Panteras Negras constituíram um movimento social de legitima defesa de suas comunidades, assim como de assistência social via programas de alimentação infantil, de saúde, educacional e de informação. Foram perseguidos pelo FBI, vigiados, infiltrados, difamados, sabotados, alguns assassinados e tantos outros presos em uma campanha governamental para desacreditar e criminalizar o partido, esvaziar a organização de recursos e militantes. (A campanha contra as fake news manda lembranças).
Não quero com esse texto diminuir a conquista que é ter um staff predominantemente negro na indústria cinematográfica estadunidense, ainda mais após as mobilizações de 2016 e 2017, mas sim saudosamente lembrar e aspirar pelo dia em que um filme sobre o verdadeiro Pantera Negra, Huey P. Newton e a Wakanda criada nos guetos de Oakland em 1966 lote tantas salas e assentos quanto belíssima fantasia estilizada de Disney.
https://jornalggn.com.bnoticia/pantera-negra-o-filme-que-nega-e-rememora-o-partido-dos-panteras-negras-um-texto-para-quem-ja-assistiu-o-filme/
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2020.08.31 05:07 altovaliriano Stannis Baratheon (Parte 7)

O objetivo inicial de Stannis era sentar no Trono de Ferro. Minha impressão é que esse era o plano desde que ele abandonou Porto Real. Outros leitores alegam que esta intenção surgiu apenas depois da morte de Robert. Qualquer que seja o caso, todos devemos concordar que este era o objetivo ao menos desde o Prólogo de A Fúria dos Reis.
Por sua vez, Melisandre já alegava que o rei era a reencarnação de Azor Ahai. Talvez já pensasse assim antes. Mas não sabemos. Tudo que sabemos é que a mulher vermelha promoveu Stannis a herói renascido e nunca o tirou do altar.
Até Tormenta de Espadas, Stannis nunca havia se identificado com o papel de Azor Ahai. Só seguia os conselhos da feiticeira de Asshai para tentar reverter a desvantagem que Renly havia lhe imposto. Depois que conseguiu precisava para combater seus inimigos, até a colocou na geladeira. Atacou Porto Real apenas como Stannis Baratheon, não Azor Ahai, algo que Melisandre não tardou em usar isso contra ele, depois que retornou derrotado à Pedra do Dragão.
Ela voltou a afirmar que ele era um herói renascido e, derrotado e desmoralizado, Stannis começou a lhe dar ouvidos. Ela lhe mostrou uma visão no fogo, falou de uma guerra contra a escuridão, disse que poderia acordar um dragão da pedra, requisitou sangue de um rei e temperou a fábula de Azor Ahai de modo que o herói também era um rei legítimo.
O truque de Martin foi deixar Stannis e Melisandre muito tempo a sós, pensado que Davos havia falecido. Depois o truque foi Davos retornar com um plano para matar a sacerdotisa, o que o tornava mais um traidor. O rei só chama Davos porque Melisandre requisita, mas nem a feiticeira nem Baratheon poderiam prever que o cavaleiro das cebolas atiraria verdades duras a seu suserano.
Stannis fica impressionado, e provavelmente abandona a noção de que Davos era um traidor, pois pergunta por que o cavaleiro queria matar a mulher vermelha. Depois que percebe que as razões eram pessoais (e não para traí-lo), o rei de Pedra do Dragão começa a abrir o jogo, mas de modo confuso e atrapalhado. Provavelmente porque não ele não sabe do que está falando. Só está repetindo o que ouviu de Melisandre.
O objetivo de Baratheon agora é lutar na “grande batalha” e unir toda Westeros contra o Grande Outro. É um plano parecido com o anterior, mas agora Stannis precisa abandonar a ideia de simplesmente ‘tomar o trono’ para abraçar o ideal de ‘unir o reino’. À semelhança de Aegon, o papel agora é acabar com as disputas internas e consolidar a figura de um único governante. Mas tal como Aegon, precisa-se de um dragão. Para conseguir o dragão Edric Storm deve ser sacrificado.
A areia corre agora mais depressa pela ampulheta, e o tempo do homem sobre a terra está quase no fim. Temos de agir com ousadia, senão toda a esperança estará perdida. Westeros tem de se unir sob seu único rei verdadeiro, o príncipe que foi prometido, Senhor de Pedra do Dragão e escolhido de R’hllor. […] – Dê-me o garoto, Vossa Graça. É a maneira mais segura. A melhor maneira. Dê-me o garoto e acordarei o dragão de pedra.
(ASOS, Davos IV)
Mas como é possível unir o reino sem antes tomar o trono? Não são ideias que redundam no mesmo ponto? Segundo o discurso legalista de Stannis, não. Tendo Stannis a convicção de que o reino e trono já são seus, diminui-se a urgência de tomá-los.
Não é questão de desejo. O trono é meu, como herdeiro de Robert. Essa é a lei. Depois de mim, deve passar para a minha filha, a menos que Selyse finalmente me dê um filho. – Passou três dedos levemente pela mesa, sobre as camadas de verniz liso e duro, escurecido pela idade. – Eu sou rei. Os quereres não entram nisso.
(ASOS, Davos IV)
Este discurso convenientemente repetido por Baratheon é a brecha para que permite a Stannis aceitar outros rumos que não atacar Porto Real novamente. Não fosse assim, por que ele sequer daria ouvidos a um plano de Axell Florent e Salladhor Saan para atacar a Ilha da Garra? Ou então por que Stannis esperaria tanto tempo para que Melisandre comprovasse a eficácia de suas promessas?
De todo modo, o discurso de que o título lhe pertence, aconteça o que acontecer cai como uma luva em sua nova mentalidade de herói mítico. Mais tarde será este discurso que autorizará que Stannis deixe Pedra do Dragão para responder ao pedido de ajuda da Patrulha descoberto por Davos. O rei viu a visão no fogo e aquilo o fez relativizar a buscar pelo trono.
Com meus próprios olhos. Depois da batalha, quando estava perdido em desespero, a Senhora Melisandre pediu-me para fitar o fogo da lareira. […] o que vi foi real, apostaria nisso o meu reino.
E foi o que fez – disse Melisandre.
(ASOS, Davos IV)
Mas os discursos dos personagens não veem sempre em seu auxílio. As vezes, ele são uma arma para ser usada contra ele. Esta é a razão pela qual Stannis fez de Davos sua Mão. Mas também é a razão pela qual Davos não será punido pela flagrante traição em traficar Edric Storm para Lys.
Ao condenar um eventual ataque a Ilha da Garra, Davos fez Stannis perceber que puniria homens como ele mesmo: que estavam obedecendo ordens de seu senhor contra o rei. Quando leu o pedido de ajuda da Patrulha da Noite, Davos usou a visão que Stannis e Melisandre lhe haviam contado e as profecias da grande guerra contra eles mesmos. Se Baratheon agisse diferentemente naqueles momentos, estaria virtualmente demonstrando que não era rei, herói ou sequer o Stannis que ele conhecia.
Não quero dizer com isso que Stannis não sofre transformações ao longo de A Tormenta de Espadas. Pelo contrário. O rei muda muito o seu discurso de um capítulo para o outro neste livro. O final do Davos IV e o começo de Davos V são espelhos um do outro. A situação modifica-se rapidamente quando as circunstâncias forçam o rei derrotado a admitir que Melisandre pode ter razão sobre o sangue de rei. Porém, nem todas as mudanças vieram em favor da tese de Melisandre. Ao dar alguma razão à feiticeira na mesma medida em que lhe retirava, Martin objetiva criar mais conflito interno no personagem, forçando Stannis a tomar uma decisão que refletisse sua personalidade da forma mais autêntica possível.
Primeiro, falemos das suspeitas que surgem de um capítulo para o outro.
Stannis antes achava que R’hllor deveria escolher alguém melhor, se achando inadequado para o destino que lhe era imposto. Entretanto, ao reparar que R’hllor escolhe como seus instrumentos os homens mais pífios e desonrosos, Baratheon passa a duvidar da lisura de seu deus.
O Senhor da Luz devia ter feito de Robert o seu campeão. Por que eu?
Porque é um homem reto – disse Melisandre.
(ASOS, Davos IV)

Será que a mão de R’hllor é manchada e entrevada? – perguntou Stannis. – Isso parece mais obra de Walder Frey do que de qualquer deus.
R’hllor escolhe os instrumentos de que necessita. – O rubi na garganta de Melisandre brilhava, rubro. – Seus caminhos são misteriosos, mas nenhum homem pode resistir à sua vontade ardente.
(ASOS, Davos V)
Por outro lado, após ser persuadido por Davos a não atacar a Ilha da Garra, Stannis falava em trazer justiça para cada pessoa nos sete reinos, independente da classe. No capítulo seguinte, porém, vislumbrando a chance de angariar apoio político fácil, fala que oferecerá indultos totais aos traidores que perderam seus reis para as sanguessugas de Melisandre. Mais do que qualquer coisa, essa passagem demonstra o quanto Stannis estava ávido para se livrar do dilema moral envolvendo o sacrifício de Edric.
Eu trarei justiça a Westeros. Algo que Sor Axell compreende tão mal quanto compreende a guerra. A Ilha da Garra não me traria nada... e seria uma coisa maligna, como você disse. Celtigar tem de pagar o preço da traição pessoalmente. E quando eu subir ao trono, pagará. Cada homem colherá o que semeou, do mais alto dos senhores ao mais baixo rato de sarjeta. E alguns perderão mais do que as pontas dos dedos, garanto. Fizeram o meu reino sangrar, e não me esqueço disso.
(ADWD, Davos IV)
...
O lobo não deixa herdeiros, a lula gigante deixa muitos. Os leões vão devorá-los, a menos que... Saan, vou precisar de seus navios mais rápidos para levar enviados às Ilhas de Ferro e a Porto Branco. Oferecerei indultos. – O modo como cerrou os dentes mostrou o pouco que gostava da palavra. – Indultos totais, para todos aqueles que se arrependerem da traição e jurarem lealdade ao seu legítimo rei. Têm de compreender…
(ASOS, Davos V)
Outra dúvida que acomete Stannis tem relação com a própria credibilidade das visões no fogo. Na primeira conversa, Stannis tem uma convicção profunda sobre o significado do que viu nas chamas. A seguir, mostra-se cético. Eu diria que, aqui, o rei está desdenhando do sucesso das sanguessugas com base nas previsões ambíguas que Melisandre fez no passado. Outra tentativa de se esquivar do sacrifício do bastardo de Robert.
A convicção na voz do rei assustou Davos profundamente.
(ASOS, Davos IV)
...
Há mentiras e mentiras, mulher. Mesmo quando essas chamas falam a verdade, estão cheias de truques, parece-me.
(ASOS, Davos V)
Porém, Melisandre conseguiu incutir algumas ideias em Baratheon. Quando libertou o Cavaleiro das Cebolas, Baratheon elogiava Edric Storm e se mostrava enfurecido por pensarem que ele o faria mal. Na segunda conversa, contudo, depois que Melisandre tanto destaca quanto o bastardo era a encarnação de uma afronta (e até mesmo de uma maldição) contra o rei, ele passa a expressar uma opinião negativa sobre o garoto.
O garoto encantou-o? Tem esse dom […]. Penrose preferiu morrer a entregá-lo. – O rei rangeu os dentes. – Isso ainda me enfurece. Como ele pôde pensar que eu iria fazer mal ao garoto?
(ASOS, Davos IV)
...
Já estava farto desse maldito garoto antes mesmo de ele nascer – protestou o rei. –Até o nome dele é um rugido aos meus ouvidos e uma nuvem negra que paira sobre a minha alma.
(ASOS, Davos V)
Por fim, enquanto que primeiramente o rei insistia a Melisandre que pensar em dragões era alimentar uma esperança tola, mais tarde ele mesmo passa a fantasiar com as possibilidades.
Não quero ouvir mais nada sobre isso. Os dragões acabaram-se. Os Targaryen tentaram trazê-los de volta meia dúzia de vezes. E fizeram papel de bobos, ou de cadáveres.
(ADWD, Davos IV)
...
Seria uma coisa maravilhosa vera pedra ganhar vida – admitiu de má vontade. – E montar um dragão... [...] Robert tirou os crânios das paredes quando colocou a coroa, mas não suportou a ideia de mandar destruí-los. Asas de dragão sobre Westeros... isso seria uma...
(ASOS, Davos V)
Neste momento Davos interrompe Stannis para combater os argumentos de Melisandre. Tal qual havia feito antes ao criticar o plano de Sor Axell, o cavaleiro das cebolas desempenha o papel do advogado de defesa. Tal qual havia feito anteriormente, Stannis deixa seus conselheiros debaterem livremente, como se a altercação acontecendo na corte fosse um reflexo de seu próprio conflito interno.
Os argumentos da nova Mão do Rei não são novos. São os mesmos que Stannis já havia apresentado à feiticeira e, por isso, Melisandre tem resposta para todos. No fim, porém, Davos inova argumentando que nem todos as sanguessugas haviam causado o efeito prometido.
Duvida do poder de R’hllor? [...]
Até um contrabandista de cebolas sabe distinguir duas cebolas de três. Falta-lhe um rei, senhora.
Stannis resfolegou uma risada.
Ele pegou-a, senhora. Dois não é igual a três.
(ASOS, Davos V)
Stannis mal conseguiu conter sua alegria. Davos apontou uma brecha que o livrava de ter que reconhecer que Melisandre tinha razão, algo que ele estava resistindo a fazer até aquele momento. A alegria, contudo, dura pouco. A feiticeira mostrasse confiante de que Joffrey morrerá em circunstâncias que evidenciarão o poder do sangue de Edric. Stannis fica contrariado e termina a discussão ainda insistindo no argumento de Davos.
Com certeza, Vossa Graça. Um rei pode morrer por acaso, até dois... mas três? Se Joffrey morrer, no meio de todo o seu poder, rodeado por seus exércitos e sua Guarda Real, isso não mostraria o poder do Senhor em ação?
Talvez mostre. – O rei falou como se se ressentisse de cada palavra.
Ou talvez não. – Davos fez o melhor que pôde para esconder o medo.
[…] Dois é diferente de três. Os reis sabem contar tão bem quanto os contrabandistas. Podem ir. – Stannis virou as costas a eles.
(ASOS, Davos V)
A discussão é encerrada, mas Davos sabe que o conflito interno de Stannis está longe de terminado, por isto ele fica para trás para repisar os pontos em que a opinião de Stannis não mudou:
  1. Edric é de seu sangue
  2. Edric é inocente
  3. Edric e Shireen se afeiçoaram.
Davos ainda quis repetir o nome do garoto a fim de humanizá-lo, pois Stannis teimava em não pronunciar seu nome.
Como era esperado, nada disso tem efeito. Até porque todos estes argumentos foram trazidos pelo próprio Stannis contra Melisandre. Ao voltar a eles, Martin apenas nos demonstra que Baratheon não descartava sacrificar Edric apesar daquilo tudo. O rei até pronuncia o nome de Edric, demonstrando que humanizá-lo não o faria temer mandá-lo para morte.
Martin fecha este pequeno arco de mudança de opinião com um último espelhamento. Em um capítulo, Stannis manda tirar Davos de sua cela. No seguinte, ameaça justamente jogá-lo de novo nas masmorras. Esse é o sinal de que Stannis não admite mais contestação, pois a possibilidade de entregar Edric a Melisandre já é quase uma realidade.
Vá – disse o rei por fim– antes que consiga se levar de volta à masmorra.
(ASOS, Davos V)
Entretanto, se o sacrifício não acontece depois, o que Martin quis com todo esse arco? E por que vimos Stannis se humanizar e não atacar a Ilha da Garra (um ato “maligno”, segundo ele mesmo), para que logo depois ele esteja em conflito sobre sacrificar uma criança inocente? Tanto o ataque a Ilha da Garra quanto o sacrifício de Edric não aconteceram. O que Martin quis mostrar com isso tudo?
Toda essa volta serviu para estabelecer as diferenças, dentro de um espectro de moralidade, entre os personagens em Pedra do Dragão.
Desde que fomos apresentados a Stannis em A Fúria dos Reis nos tornamos cientes que suas famosas honra e moralidade não são tão rígidas como se fala. Elas se curvam ao cumprimento dos deveres associados aos papéis sociais que ele assume e ao utilitarismo de desempenhá-los à risca. Em outras palavras, Stannis está sempre atento a desempenhar o papel que esperam dele.
Em A Tormenta de Espadas, Stannis admite isso com todas as letras. Quando lhe foi apresentado o dilema da Rebelião de Robert, entre seguir seu irmão e lorde e se tornar um rebelde ou seguir seu rei e manter-se um legalista, Stannis pensou que os laços de sangue eram mais importantes.
Escolhi Robert, não escolhi? Quando esse duro dia chegou. Escolhi o sangue em detrimento da honra.
(ASOS, Davos IV)
No dilema envolvendo Edric, entretanto, Stannis está sendo forçado a abandonar até mesmo seu sangue em prol de uma profecia que tanto salvará o mundo quanto lhe dará o reino. Diferentemente da Rebelião, Stannis agora é o rei e não o rebelde (na cabeça dele ,claro). Não é mais uma questão de lealdades ou legalidade, mas a escolha entre vidas a salvar e um reino para pacificar.
É claro que, como a única fonte de informações é Melisandre, Stannis exige evidências de que ambas as coisas realmente acontecerão, caso ele decida sacrificar o bastardo do irmão. Stannis é um homem desconfiado e orientado por evidências. Não quer fazer um movimento baseado em simples wishful thinking. Entretanto, Melisandre concede as garantias. Lhe fornece uma visão no fogo que o impressiona muito e realiza o ritual com as sanguessugas que “resulta” na morte dos outros três reis ainda vivos na Guerra dos Cinco Reis. Porém, vale mencionar, ainda assim Stannis pedia por garantias.
Jura que não há outra maneira? Jure por sua vida, porque juro que morrerá devagarinho se mentir para mim.
(ASOS, Davos VI)
Sendo assim, a conclusão óbvia é que o rei pode até ser alguém disposto a atos grotescos, mas ele somente os leva a cabo quando têm utilidade verdadeira. Inclusive, esta é a razão pela qual ele concorda com Davos de que atacar a ilha da Garra seria um expediente maligno. Ele não só iria punir as famílias inocentes de homens que lhe serviram com lealdade como não tiraria nada de realmente útil deste ataque, apenas saque.
Já com Edric Storm, o dilema que Martin impõe ao personagem se encaixa no padrão de “O que é a vida de um em comparação” e “As necessidades de muitos”, tropes normalmente associadas à busca pelo bem maior – o que não necessariamente coloca Baratheon na condição de herói, mas tampouco necessariamente o rebaixam à condição de vilão ou de antagonista.
Em verdade, mesmo depois da repentina mudança de opinião sobre Edric, o rei nunca deixou de considerar sua inocência e as consequências nefastas que viriam do ato, especialmente no que se referia a possíveis acusações de fratricídio. Stannis associa este tipo de postura a uma necessidade de cumprimento de seu dever como Azor Ahai e rei.
Quantos garotos vivem em Westeros? Quantas garotas? Quantos homens, quantas mulheres? A escuridão vai devorá-los todos, diz ela. A noite que não tem fim. Fala de profecias... um herói renascido no mar, dragões vivos chocados a partir de pedra morta... fala de sinais e jura que apontam para mim. Nunca pedi isso, assim como não pedi ser rei. Mas vou me atrever a não lhe dar ouvidos? – rangeu os dentes. – Não escolhemos o nosso destino. Mas temos... temos de cumprir o nosso dever, não é? Grande ou pequeno, temos de cumprir o nosso dever. Melisandre jura que me viu em suas chamas, enfrentando a escuridão com a Luminífera erguida bem alto. Luminífera!
(ASOS, Davos V)
Alegar que ‘não pediu’ para estar naquela situação é um gesto clássico de Stannis quando é colocado em uma situação que exige que ele tome escolhas difíceis. Stannis é um homem que dá muita importância ao preenchimento de papéis sociais, seja como irmão mais novo, conselheiro, marido, rei ou herói mítico renascido. Por essa razão conclui não ter controle sobre o próprio destino, que apenas lhe resta agir conforme seu papel.
Afinal, a lição que tirou na infância do caso do falcão Asaltiva foi que tentar agir em desconformidade com sua condição é algo ineficaz, que somente o coloca no papel de bobo. Isso condicionou a vida do Baratheon do meio à busca de desempenhar seu papel da forma mais eficiente e em conformidade com as suas condições. Assim, sua vida foi moldada na obediência aos seus deveres.
Quando era rapaz, encontrei um açor ferido e tratei dele até que recuperasse a saúde. Chamei-o Asaltiva. Costumava se empoleirar no meu ombro, esvoaçar de sala em sala atrás de mim e comer na minha mão, mas não voava alto. Uma vez ou outra levei-o à caça, mas nunca subiu mais alto do que as copas das árvores. Robert chamou-o Asafraca. Ele tinha um falcão-gerifalte chamado Trovão que nunca errava um ataque. Um dia, nosso tio-avô, Sor Harbert, disse-me para experimentar outra ave. Disse que estava fazendo papel de idiota com Asaltiva, e tinha razão.
Assim, todo o dilema enfrentado pelo rei de Pedra do Dragão centrava-se em comprovar a eficácia do método proposto por Melisandre, a fim de não fazer papel de bobo caso fosse uma furada. Stannis estava disposto a sacrificar alguém de seu sangue se conseguisse acordar um dragão e unir o reino sob seu comando para liderar a batalha contra as trevas. O que ele não estava disposto era a ser mais um idiota nas páginas da história, que pensava ter achado a fórmula para obter um dragão, mas no fim acabava morto ou humilhado.
– Não quero ouvir mais nada sobre isso. Os dragões acabaram-se. Os Targaryen tentaram trazê-los de volta meia dúzia de vezes. E fizeram papel de bobos, ou de cadáveres. Cara-Malhada é o único bobo de que precisamos neste rochedo esquecido por deus. Você temas sanguessugas. Faça o seu trabalho.
(ASOS, Davos IV)
Esta visão utilitarista é a postura de Stannis.
A postura adotada por Melisandre, Selyse e Axell é algo inteiramente distinto.
A diferença crucial entre Stannis, Selyse e Axell é que apenas o rei sente-se moralmente impedido de realizar o sacrifício, muito embora Edric também seja do sangue de todos eles. A rainha e o castelão não somente descartam completamente a humanidade e a inocência de Edric Storm, como eles fecham aos olhos ao fato de que “o bastardo de Robert” também é “o bastardo de Delena Florent”.
Edric é filho da prima de Selyse e, por força do casamento com Stannis, seu sobrinho. Já Axell é tio-avô do garoto. Figurativamente falando, o sangue Florent corre tão intenso nas veias de Edric quanto o sangue Baratheon. Este é um detalhe grandemente esquecido tanto pelo leitor quanto pelos personagens, mas que estabelece uma grande diferença de caráter entre Stannis e os Florent.
O rei não ignora o valor da vida que está tirando. A inocência e o fratricídio constituem obstáculos morais sérios para ele. Stannis tampouco deseja patrocinar um fiasco com sangue e desonra. Já Selyse acredita piamente no papo de Melisandre de que Edric conspurcou seu casamento e impôs uma maldição em seu ventre, impedindo-a de gerar filhos homens.
Robert e Delena profanaram a nossa cama e fizeram cair uma maldição sobre a nossa união. Esse garoto é o sujo fruto de sua fornicação. Levante esta sombra de meu ventre, e eu lhe darei muitos filhos legítimos, eu sei que sim.
(ASOS, Davos V)
Axell Florent é um homem ambicioso que vê traidores em todo lado, que está mais do que disposto a lançar à fogueira aqueles de seu sangue (no caso, seu irmão Alester).
Porém, é preciso ressaltar que a miopia de Axell não é condicionada apenas a sua ambição. Ele não apenas estava apoiando o sacrifício de Edric enquanto tinha chances de ser nomeado Mão. Mesmo depois que Davos passa a ocupar o cargo, Axell continua a fazer eco aos gritos de Selyse.
Assim, fica claro que a rainha e o castelão não hesitariam de entregar às chamas alguém inocente de seu próprio sangue caso Melisandre assim requisitasse.
Quanto à própria sacerdotisa de Asshai, pouco podemos inferir sobre sua moralidade. Entretanto, os argumentos que ela apresenta a Stannis parecem indicar que Edric não seria o primeiro inocente que ela sacrificaria na vida.
O Senhor da Luz aprecia os inocentes. Não há sacrifício mais precioso.
(ASOS, Davos V)
Portanto, o ponto de Martin com a “ameaça de sacrifício” era permitir que os leitores contemplassem o caráter de cada personagem envolvido para que soubéssemos “quem eles eram quando estava escuro” e, em contraste, notássemos que, por mais ambicioso, orgulhoso e estrito que Stannis fosse, não seria facilmente convencido a sacrificar o bastardo de seu irmão, mesmo quando as pessoas a seu redor estavam convencidas.
Ele está com eles, mas não é um deles, pensou Davos.
(ASOS, Davos VI)
No fim, entretanto, Edric Storm apenas sobreviveu por intervenção de Davos. A pergunta que fica com o leitor é: O que aconteceria em uma situação parecida se Davos não estivesse por perto?.
Mas isso é tema para outro texto.
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2020.08.19 00:15 newsbrasilbot Dugueto lança campanha de doação de bonecas negras para crianças da periferia

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2020.08.13 05:31 XxteenalovexX Briguei com meu pai

A algumas semanas, quando minha mãe ainda estava grávida, meu pai nos tinha dito que iria em um churrasco do trabalho e que não demoraria pra chegar. Minha mãe mesmo receosa não podia contrariar, então apenas assentiu mas percebi que ela estava nada bem. Depois que meu pai saiu de casa, tentei falar com ela, e como nós temos uma relação muito boa, não escondemos nada uma da outra, então ela me falou que tinha descoberto que meu pai andava falando com uma mulher. Como ela tinha essa conversa? Não sei.
Bom, ela me mostrou toda a conversa que consistia em trocas de nudes (que obviamente não vi as fotos, seria nojento) e várias outras conversas...inapropriadas. Quando eu era criança, um pouco mais nova, meu pai saia para jogar futebol com os amigos em alguns dias da semana e sempre chegava depois das quatro da manhã.
Eu não conseguia ver minha mãe acordada sempre tão tarde chorando, enquanto dizia que achava q meu pai a traia. Eu nunca acreditava. Eu não queria acreditar, até porque era o meu pai, e também tínhamos uma relação muito boa. Eu tinha medo de Que se isso fosse verdade, eu me afastasse dele. Ou dela.
Hoje, eles discutiram de novo, mas eu fiquei na minha. Meu irmão estava na casa de uma tia e meu irmao ainda bebê dormia em um quarto ao lado.
No meio da discussão interminável, meu pai me pôs no meio, dizendo o quanto eu era inútil, o quanto eu era a ovelha negra da família e o fato de que meu destino está fadado a eu desempregada pro resto da vida, já que eu só me dedico a fazer nada. Detalhe: tenho 14 anos.
Quando ele me mencionou, eu fiz questão de discutir mais ainda com ele, para o foco da discussão parar de ser a minha mãe, ela ainda chorava, mas o motivo era outro. Um pouco melhor q o anterior eu acho.
Meu pai nunca foi agressivo. Nunca encostou um dedo em mim e na minha mãe, mas ele odeia estar errado.
Eu amo ele, amo a minha família mas eu odeio quando essas discussões acontecem. Parece que meu mundo mágico onde a família perfeita tem uma relação perfeita desmorona e só se encontra o caos, onde quase sempre eu e meu pai não nos falamos mais.
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2020.08.07 00:55 336933 Criança negra "cartaz" em manifestação do Chega

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2020.08.01 20:03 hebreubolado Crítica cinematográfica do filme Mogli - O Menino Lobo (2016) do Jon Favreau.

Os Livros da Selva é uma coletânea de contos do universo criado por Rudyard Kipling (1865–1936). Os dois Livros somam o total de quinze contos. Este filme adapta (ou ao menos tenta adaptar) de uma forma bastante recortada alguns contos que têm Mowgli como protagonista (importante ressalvar que não são todos os contos de Os Livros da Selva que têm o menino lobo como protagonista, alguns sequer se passam na Selva, ex: A Foca Branca, conto de número 4 na edição Clássicos da Zahar). Eu percebi inspirações no conto “Os irmãos de Mowgli”, o primeiro do universo do Kipling, “A Caçada de Kaa”, que narra o sequestro de Mowgli pelo Bandar-logo, o Povo Macaco, e “Como surgiu o Medo”, o conto mais mitológico em minha opinião, que narra o período de seca da Selva que os animais chamam de Trégua da Água. Em minha crítica, irei estabelecer algumas comparações do filme com a obra original do Kipling com objetivo de defender a opinião de que: enquanto um filme de animação, é um filme muito bem produzido, dirigido e criado, porém, enquanto adaptação cinematográfica de uma obra literária, deixou tanto a desejar, de tal forma que me faz acreditar que trata-se mais de uma adaptação da animação da própria Disney de 1967 do Wolfgang Reitherman do que uma adaptação da obra de Kipling, como veremos mais à frente. Para estabelecer essas comparações, utilizarei o meu exemplar de Os Livros da Selva: contos de Mowgli e outras histórias, da editora Zahar, publicado no ano de 2016, traduzido por Alexandre Barbosa de Souza.
Nota IMPORTANTÍSSIMA: compreendo e sou da opinião de que cinema e literatura são artes distintas e que possuem linguagens diferentes; também concordo que nenhuma adaptação é 100% fiel à obra literária, nem mesmo o tão renomado O Senhor dos Anéis; porém, quando usa-se o nome de um autor como fonte e principalmente sua obra como inspiração, é necessário o devido respeito à propriedade intelectual e criadora, não somente por questões jurídicas, mas por questões éticas. Sob esta premissa, vamos às comparações.
ATENÇÃO: Como trata-se de uma análise do filme, recomendo que a crítica seja lida somente por pessoas que já assistiram o filme. Se você também leu o livro e é um admirador da obra do Kipling e do que ela representa, será uma leitura ainda mais profunda.
O filme tem uma animação muito bonita; não entendo de cinema em termos técnicos, mas sem dúvidas trata-se de uma película bastante agradável de se assistir. Fora a animação de altíssima qualidade, as cores, personagens e músicas fazem do filme bastante agradável de se ver e rápido de assistir também. Incomoda-me em um filme que possui uma proposta infantil (a recomendação aqui no Brasil é para maiores de 10 anos de idade) hajam os famigerados Jump-scare. Imagine você sentado na sala assistindo com seu filho uma cena do Mowgli em um pasto verde e calmo e de repente BAM! Um tigre salta de trás da tela rugindo e fazendo um estardalhaço enorme. O recurso de jump-scare é, até mesmo em filmes adultos como no gênero de terror e suspense, considerado um recurso de baixa qualidade e previsível. Contei ao todo dois jump-scares no filme.
Em uma das primeiras cenas do filme vemos Mowgli, já na idade de menino (idade esta que permanece durante todo o filme. No último conto do Kipling, “A Corrida da Primavera”, ele já possui dezessete anos), assistindo uma assembléia dos lobos, que discutem se sua presença na alcateia deve ou não ser tolerada. Aqui já podemos perceber uma mudança drástica na história original: nos livros, Mowgli simplesmente aparece onde a alcateia Seonee vive, não levado por Bagheera como no filme retrata um pouco mais a frente. Akela e o lobo que criou Mowgli são dois lobos diferentes, não o mesmo: este último aparece nos contos com o nome de Pai Lobo apenas. Akela em hindi significa solteiro, solitário, o que não faz sentido colocá-lo como pai de Mowgli e dono de uma família. A intimidação do tigre Shere Khan provoca aos lobos foge do nosso autor britânico da mesma forma: enquanto que no filme o tigre não apenas mata Akela com um único golpe mas domina toda o bando, nos livros ele é intimidado pelos caninos.
“[…] Shere Khan talvez tivesse enfrentado Pai Lobo, mas não desafiaria Mãe Loba, pois sabia que, ali onde estava, ela tinha a vantagem do terreno e lutaria até a morte. Por isso voltou atrás, rosnando ao deixar a boca da caverna […]” (KIPLING, p. 33).
Bagheera e Shere Khan travam uma batalha durante a escolta de Mowgli em retorno para a vila dos homens; nos livros, essa luta nunca aconteceu.
Ao encontrar com os elefantes, a pantera negra pede para que Mowgli se ajoelhe e o informa da importância desses terríveis elefantídeos na criação e manutenção da Selva. Esse aspecto deve ser parabenizado por ter sido incorporado no filme: Kipling retratou os elefantes como a força criadora da Selva, e sendo Hathi, O Silencioso, o mais antigo deles. Embora a curtíssima cena tenha deixado implícito a importância dos elefantes, senti falta do personagem de Hathi, que é de suma importância em todos os contos que ocorrem na Selva.
“[…] Quando Hathi, o elefante selvagem, que vive cem anos ou mais, viu uma longa e esguia faixa de rocha seca bem no meio do rio, entendeu que estava olhando para a Pedra da Paz e, na mesma hora, ergueu sua tromba e proclamou a Trégua da Água, como seu pai antes dele havia proclamado cinquenta anos atrás.” (KIPLING, p. 185).
“[…] Shere Khan foi embora sem ousar rosnar, pois sabia, assim como todo mundo, que, no final das contas, Hathi é o Senhor da Selva” (KIPLING, p. 191)”.
O antagonismo inexistente de Kaa: a temível Píton é apresentada no filme como uma vilã que, após revelar a história de Mowgli para ele, tenta devorá-lo. Este personagem também foi desconstruído e teve sua personalidade alterada, assim como vários outros, que comentarei mais à frente. Nos livros, a píton é vista como um animal sábio e astuto, mas que respeita Mowgli como o Senhor da Selva que ele se tornou. A primeira vez que ele é mencionado na obra é no conto “A Caçada de Kaa”, aquele citado mais acima, que retrata o sequestro de Mowgli. Percebendo sua incapacidade de perseguir o Bandar-Log, o Povo Macaco, Baloo e Bagheera decidem pedir ajuda à píton em troca de alguns cabritos. Após relembrar Kaa de que o Bandar-log costumava chamá-lo de perneta, minhoca amarela, a pantera e o urso acabam convencendo a píton a se unir à eles na caçada aos macacos para resgatar Mowgli. O antagonismo de Kaa no filme pode ter várias explicações (que infelizmente só nos seriam acessível diretamente pelo diretor ou roteirista), porém, me parece que colocar uma cobra como vilã é um reforço de um esteriótipo medíocre. A cobra malvada. Não, sr. Favreau, isto não existe no universo de Kipling. Muito embora astuto e um caçador destemível, Kaa não apenas ajuda nesse conto em específico como também em “Cão Vermelho”, quando auxilia Mowgli na batalha contra dos lobos contra os cães vermelhos, chamados de dholes (inclusive, é nesse conto que Akela morre devido à feridas causadas na batalha contra os dholes, diferentemente da sua morte estúpida no filme com uma só mordida de Shere Khan, o que nos demonstra uma ideia bastante frágil de um lobo alfa que deveria estar a frente de sua alcateia e portanto, se o mais forte entre todos os lobos. Akela morre com pelos brancos como neve, ressaltando sua idade avançadíssima). Neste conto, Kaa fornece a Mowgli ideias de como combater e sair em vantagem contra os dholes, além de protegê-lo no rio durante o seu percurso e ser também ativo no plano de Mowgli para emboscar os dholes na toca das abelhas, etc etc.
Nem é preciso informar que não, Baloo não salvou Mowgli de ser comido por Kaa em Os Livros da Selva. Ainda no primeiro conto, “Os irmãos de Mowgli”, o Conselho da Alcateia está decidindo o destino do filhote de homem. A Lei da Selva, código de ética e moral que rege a todos os povos livres com exceção do Bandar-log, intercede a favor de Mowgli:
“Pois bem, a Lei da Selva dispõe que, em caso de disputa do direito sobre um filhote a ser aceito pela alcateia, pelo menos dois membros, além do pai e da mãe, devem interceder ao seu favor.” (KIPLING, p. 35). Adivinhe quem fala por Mowgli além dos seus pais lobos? Isso mesmo. O velho Baloo, encarregado de ensinar a Lei da Selva para os filhotes, fala em nome do menino. Sendo assim, falta apenas mais um voto. Baloo era o único fora da alcateia que tinha direito de falar no Conselho; sendo assim, restava convencer um lobo entre a alcateia para que Mowgli fosse aceito.
Porém, não foi isso que aconteceu: Bagheera intercede e, não podendo votar por não ser parte da Alcateia Seonee, argumenta em cima da Lei da Selva:
“ — Ó Akela, ó Povo Livre — ronronou -, não tenho voto na assembléia de vocês, mas a Lei da Selva diz que, não se tratando de um caso de morte, se existe uma dúvida quanto a um novo filhote, a vida dele pode ser comprada por um certo preço. E a lei não diz nada sobre quem pode ou não pagar esse preço. Estou certo?
[…] — Agora, além do voto de Baloo, acrescento um touro, e um bem gordo, que acabei de matar a menos de um quilômetro daqui, para que o filhote de homem seja aceito de acordo com a lei. Seria possível?” (KIPLING, p. 35–36). Oferta esta que o Povo Livre aceitou prontamente. Concluímos, portanto, que Baloo não apenas conheceu Mowgli desde sua chegada na Alcateia Seonee, mas foi o responsável, junto com Bagheera, por sua aceitação na alcateia. Esta alteração no roteiro do filme pode ser explicada pelo fato de que a linguagem do cinema requer algo mais dinâmico e rápido que os detalhes da literatura. Foi a forma do Favreau contar como Mowgli chegou na Selva e introduzir Baloo no filme, dois coelhos em uma cajadada só, como dizem por aí.
“E foi assim que Mowgli entrou para a Alcateia dos Lobos de Seeonee, ai preço de um touro e graças às palavras favoráveis de Baloo.” (KIPLING, p. 37) A ausência nos filmes desse aspecto da história faz com que a obra tenha um déficit e deixe de retratar uma parte bastante importante nos contos de Kipling: as reflexões filosóficas por trás do conto, tais como: o valor de uma vida entre os lobos, o conceito de moralidade (certo e errado), o valor de um homem, a questão da Lei da Selva sendo usada na prática (o que no filme não passa de uns versos engraçados que são recitados em uma decoreba), etc.
A mudança da personalidade de Baloo no filme é o que mais me irrita nessa adaptação: nos contos de Kipling, Baloo é o professor da lei da selva, como citei mais acima, e no filme, quando ele pergunta a Mowgli se os lobos cantam, o menino responde negativamente e recita para ele a Lei da Selva (dialogo que acontece no minuto 40 do filme, aproximadamente) , Baloo responde “Aí, isso não é uma canção. É um monte de regra!” FAVREAU, AMADO??
Transformar o professor da Lei em um urso trapalhão reforça o fato de o filme ser uma adaptação do filme da Disney, como citei mais acima, e acabou empobrecendo o roteiro no que diz respeito aos conceitos profundíssimos que Kipling introduz através de Baloo, desde a importância da sociedade e união (no conto “A Caçada de Kaa”), as lições que acompanharam a educação do garoto desde que ele tinha entre onze e quinze anos e até mesmo os detalhes da própria Lei da Selva, que no filme os lobos simplesmente recitam aos quatro ventos, e nos contos é aprendida desde filhotinhos pela boca do próprio Baloo.
No conto “Tigre! Tigre!”, após Mowgli decidir sair da alcateia e ir para a vila dos homens, realmente Shere Khan influencia os filhotes e habita a Pedra do Conselho, como mostrado no filme, mas esse reinado sobre os lobos dura apenas algumas páginas, ao passo de que quando Mowgli retorna para a Selva (a sua estadia na vila dos homens também foi omitida no filme), acaba dando um jeito no tigre, mas isso trataremos mais a frente.
A cena de Mowgli salvando o filhote de elefante também não existe nos contos. Também me incomoda a incapacidade de falar dos elefantes, visto que todo bicho na selva, na obra de Kipling, tem essa capacidade. Os elefantes são inteligentes como todos os outros e seu líder, Hathi, como já dito mais acima, não apenas era o mais inteligente de todos, mas o verdadeiro Senhor da Selva e criador da própria.
As engenhocas de Mowgli realmente são importantes nos contos, como no filme mostra, mas a motivação do sequestro não foi a Flor Vermelha, tão desejada pelo Rei Louie. Essa cena é tão distante da obra e das intenções do Kipling que merece, mais que todas as outras, ser tratada com mais detalhes:
Primeiro, O REI LOUIE NÃO EXISTE! Uma das características mais importantes do Bandar-log é sua incapacidade de ser organizados socialmente, por isso não têm líder. No filme, criar um personagem e colocá-lo no cargo de líder do Bandar-log acaba desconfigurando o mesmo e também o desconstruindo, o que aconteceu aconteceu com vários personagens, como vimos acima.
“- Escute, filho de homem — rugiu o urso, e sua voz ressoou como o trovão numa noite quente. — Ensinei a você a Lei da Selva inteira, que vale para todos os Povos da Selva, menos para o Povo Macaco que vive nas árvores. Eles não têm lei. São marginais. Não têm fala própria, mas usam palavras roubadas que ouvem por aí enquanto espiam e esperam no alto dos galhos. Os costumes deles são diferentes dos nossos. Eles não têm líder. Não têm lembranças. São bravateiros, fofoqueiros e fingem ser os maiorais e estar sempre prestes a desempenhar grandes feitos na selva, mas é só uma noz cair no chão que desatam a rir e se esquecem de tudo. Nós da selva não queremos nada com eles. Não bebemos onde os macacos bebem, não vamos aonde os macacos vão, não caçamos onde eles caçam, não morremos onde eles morrem. Alguma vez você me ouvir falar do Bandar-log até hoje?
- Não — respondeu Mowgli num sussurro, pois a floresta ficou muito quieta quando Baloo terminou.
- O Povo da Selva os mantém longe das bocas e das cabeças. Eles são muitos, maus, sujos, despudorados e desejam, se é que se concentram em algum desejo, ter a atenção do Povo da Selva. Mas nós não prestamos atenção neles nem quando atiram nozes e porcarias em nossas cabeças.” (KIPLING, p. 54). Segundo: a motivação do Bandar-log em sequestrar Mowgli não era para ter a flor vermelha, isto é, o fogo, e se espalhar pela floresta, mas sim simplesmente ter a atenção do Povo da Selva e usar as engenhocas de Mowgli ao seu favor. Nesse trecho que se segue, vemos mais uma vez a incapacidade de terem um líder, por isso a impossibilidade de existir um Rei Louie, dentre outros defeitos bastante característicos do povo macaco:
“ […] Eles viviam no topo das árvores, e, como os bichos raramente olham para cima, os macacos e o Povo da Selva nunca se encontravam. […] Estavam sempre a um passo de ter um líder, suas próprias leis e seus costumes, mas nunca chegavam a fazê-lo, pois sua memória não durava de um dia para o outro […]. Nenhum dos bichos conseguia alcançá-los, mas, em compensação, nenhum dos bichos lhes dava atenção, e foi por isso que ficaram tão contentes quando Mowgli foi brincar com eles e ouviram como Baloo tinha ficado bravo.
Nunca aspiraram realizar coisa alguma — no fundo, o Bandar-log nunca aspira a nada -, mas um deles teve o que lhe pareceu uma ideia brilhante e contou os outros que Mowgli seria muito útil para a tribo, porque sabia amarrar gravetos para protegê-los do vento; então, se o capturassem, poderiam obrigá-lo a lhes ensinar como fazê-lo” (KIPLING, p. 55). O conto “A Caçada de Kaa” inicia-se com Baloo repassando algumas lições para Mowgli até perceber que ele esteve com o Povo Macaco. Durante um sermão (o diálogo citado acima que começa com “escute, filhote de homem”), Mowgli é sequestrado pelos macacos, Baloo e Bagheera tentam correr atrás dele, mas acabam pedindo ajuda a Kaa, como citado mais acima. A mudança na personalidade do Bandar-log, a criação de Rei Louie e a mudança no roteiro original da história no que toca à motivação do sequestro dos macacos é o pico do distanciamento entre o filme e sua obra inspiradora. No entanto, gostaria de confessar aqui que o Rei Louie era o meu personagem favorito na animação de 1967 e a musiquinha dele é realmente contagiante, haha! A motivação para manter o Rei Louie nessa versão do filme me parece mais uma demonstração de que trata-se de uma adaptação do filme da disney de 1967, e não da obra do Rudyard Kipling. A minha crítica em relação a permanência do Rei Louie é justamente por se tratar de uma das características do Bandar-log a falta de líder. No prefácio desta edição de Os Livros da Selva que tenho em mãos, o tradutor relata o simbolismo profundo por trás do Bandar-log, o que no filme ficou ofuscado, escondido e, ouso dizer, inexistente: “ Nessa estrutura social, há o nível mais baixo de todos. Nele estão justamente os parentes mais próximos dos humanos, considerados incapazes de aprimorar a organização interna de sua sociedade. Com evidente ironia, Kipling identifica o Povo Macaco com a antítese de um real esforço de construção do bem-estar coletivo. […]” (Apresentação, p. 10) o parágrafo segue-se citando o sermão de Baloo, também citado por mim acima várias vezes, aquele mesmo que começa com “escute, filhote de homem”, onde Baloo explicita com todas as letras. A cena terrível de Baloo praticando psicologia reversa em Mowgli para que ele pense que não é amado e parta para a vila dos homens de uma vez por todas é de revirar o estômago para todo leitor de Kipling. Baloo tem uma relação não apenas de amizade com Mowgli, mas também de respeito mútuo e servidão, visto que nos últimos contos Mowgli é visto como o Senhor da Selva por todos os animais, até mesmo o próprio Hathi, o mais antigo deles. Nos contos, Mowgli decide para a vila dos homens após perceber que não era mais bem-vindo na alcaeteia seeonee (isto porque Shere Khan influenciava os lobos menores e os atiçava contra Mowgli e, tendo seus pais morrido, somente Akela estava alí para interceder por ele, e sendo já um lobo idoso, não tinha muita voz contra os muitos lobos jovens fantoches do tigre), retornando apenas para dar um jeito no Shere Khan, que estava dominando a alcateia (eu vou chegar lá, calma!), e esta parte da obra também contém um simbolismo bastante profundo, mostrando a dualidade do homem entre seus instintos animais e sua civilidade que, de certa forma, acaba castrando estes mesmos instintos. Podemos interpretar de várias formas os dos “Mowglis” que aparecem nos contos de Kipling, como a dualidade presente no homem de sua razão e suas emoções, representados pelo Mowgli na Selva, sobrevivendo através de seus instintos, e o Mowgli na vila dos homens, submetido à fala dos homens, vivendo como homens nas regalias da tecnologia (não ipods ou tablets, e sim uma simples cama e uma cabana. Lembremos que tecnologia vem do grego techne, que significa arte, e logos, que significa ciência. O conceito significa, entre outros, técnica ou conjunto de técnicas de um domínio particular e/ou técnica ou conjunto de técnicas de um domínio particular). Toda essa reflexão acerca da dualidade do homem, dos dois mundos — a Selva e a vila dos homens -, tudo isso é omitido nos filmes. A cena de Mowgli na vila dos homens tem uma duração de menos de 30 segundos. O filme força mais uma batalha inexistente: desta vez, Baloo contra Shere Khan. Mais uma vez, essa luta não existe nos contos. Sendo Baloo um urso velho e gordo, muito embora seja o mestre da lei, não possui a competência de lutar com um tigre. Ele não caça, pois se alimenta de mel e plantas. A única cena de luta que existe na obra de Kipling envolvendo o urso se encontra no conto “A Caçada de Kaa”, quando ele ajuda a cobra e a pantera a lutar contra as centenas de milhares de macacos. À propósito, esta cena também foi omitida nos filmes, o que daria uma batalha épica, e substituída por uma cena estúpida onde Baloo bajula o inexistente Rei Louie para distrair os macacos. Mowgli prepara uma tocaia, já no fim do filme, utilizando suas engenhocas e a famosa flor vermelha para matar Shere Khan. Favreau, passou bem longe de novo! No conto “Tigre! Tigre!”, quando Mowgli se encontra na vila dos homens trabalhando como pastor de búfalos, ele usa destes búfalos para encurralar Shere Khan em um defiladeiro utilizando da ajuda do velho Akela e os lobos seus irmãos para tocar o búfalo contra Shere Khan. O tigre, que havia acabado de se alimentar e por isso estava preguiçoso e preferia não lutar, acabou caindo no desfiladeiro ou morrendo pisoteado (Kipling deixa a forma de morte de Shere Khan na ambiguidade). Outro detalhe que foi omitido nos filmes e possui um simbolismo profundo foi o fato de Mowgli ter retirado a pele do tigre e posta na Pedra do Conselho, onde o lobo alfa da alcateia se posta durante os Conselhos, o mesmo lugar onde Shere Khan estava quando dominava a alcateia na ausência de Mowgli. Podemos refletir bastante sobre o que isso pode significar, levando em conta que Shere Khan é a retratação do Mal na obra de Kipling. A representação de Shere Khan foi um dos dois personagens que, na minha opinião, mais se assemelharam aos originais. Mowgli dos livros é um garoto divertido, engenhoso, e ao mesmo tempo brincalhão e bastante curioso. Devido a sua educação, cresceu mais que as crianças da cidade e de uma forma mais forte e saudável. No filme, ele não passa de uma criança entre lobos; insegura, cabisbaixa e bastante incoveniente; não vemos nenhum relato explícito do humor de Mowgli, humor este que chega ao nível de fazer piadas com Kaa e o próprio Hathi, o Senhor da Selva. A mãe-loba de Mowgli teve uma boa representação, porém, senti falta do simbolismo do seu nome, Raksha, que em sânscrito significa “pedir proteção” e, ao mesmo tempo, no budismo trata-se de um demônio, que podemos interpretar como o instinto de proteção da mãe, inato e instintivo, presente em todas as espécies, e ao mesmo tempo, na sua qualidade implacável, forte e até mesmo cruel quando se trata de proteger seus filhos. O simbolismo da mãe loba foi omitido no filme, fazendo dela apenas mais uma personagem. Shere Khan é um tigre manco, e por isso somente mata gados (KIPLING, p. 29), característica essencial para a construção do personagem e também foi omitida no filme. Shere singifica tigre e khan significa chefe no idioma hindu e persa.
No mais, gostaria de reinterar, mais uma vez pois nunca é demais, que concordo com a opinião de que o cinema e literatura são linguagens diferentes e que devem ser respeitadas como o tal, mas, novamente, a partir de um momento que um filme possui a intenção e premissa de ser uma adptação cinematográfica, há coisas que devem ser levadas em conta somente por uma questão de ética e respeito para com a obra do autor. Novamente, deixo meus elogios à direção de arte do filme e qualidade de animação, mas no que toca ao roteiro e à adaptação, eu colocaria esse filme no topo da lista de frustrações, ao lado de Percy Jackson e o Ladrão de Raios. É um filme excelente para assistir com a família e as crianças certamente vão adorar. Lembrem-se, como diria Platão, uma vida sem criticas não vale á pena ser vivida. Forte abraço à todos.
Referências: KIPLING, R. Os Livros da Selva. trad. Alexandre Barbosa de Souza, Rodrigo Lacerda. Clássicos Zahar, SP: 2016.
Wallace Guilhereme. Contato: [[email protected]](mailto:[email protected])
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2020.08.01 03:22 Beatriz_ADJ Eu tenho um objetivo, mas eles podem me impedir.

Eu sou uma pessoa meio que "justa demais" pra alguns ou "princesinha" para outros, eu tenho 15 anos agora e ganhei 200 reais do meu pai de aniversário e queria doar metade do dinheiro para instituição de caridade, mas essa ideia não veio do nada. Durante toda minha vida sempre ouvi comentários homofóbicos, machistas, racistas e achava aquilo "normal" pois eu era uma criança e não entendia dessas coisas. Já fiz coisas ruins que eu achava que era apenas brincadeiras e me arrependo disso.
Quando eu tinha 8 anos eu fui bullynada (eu acho que se escreve assim) na escola por uma garota menor do que eu, ninguém nunca tinha me ensinado a me defender e sempre que ela dizia "se contar pra alguém, você apanha mais", eu ficava calada, ou seja, eu fiquei o ano inteiro ouvindo isso e nunca pedia ajuda. Graças a minha mãe que me viu chorando na escola e meu irmão guardião, ela soube o que acontecia comigo na escola durante o ano e aquela menina apanhou do meu irmão mais novo.
Passado alguns anos eu tive amigos incríveis, mas claro, tinha que dar algo errado. Esse meu primeiro amigo mentiu pra mim dizendo que meu outro amigo tinha contado segredos meus pra outras pessoas, eu me afastei dele e não nos falamos mais, quando descobri o que o meu amigo fez (aquele que mentiu) já era tarde demais, eu queria ter voltado no tempo pra pedir desculpas pro outro amigo que eu excluí da minha vida. Eu acreditava naquele mentiroso porque ele era meu melhor amigo e eu gostava dele. Ele também fez isso com minha melhor amiga, mas desta vez ele mentiu pra ela que eu a odiava. Só porque eu estava brigada com ele
Passou anos e conheci amigos maravilhosos, no inicio do ano veio uma novata na sala, vou chamá-la de Mari, e ela não falava direito. Foi aí que muita mudou, eu chamei ela pro nosso grupo e hoje somos melhores amigas, quase irmãs, ela é maravilhosa. Eu doei material de escola pra ela e ela amou, ela não tinha muito material, o que eu podia doar eu doava pra ela. Passado tempo eu tinha mudado completamente.
Aquela pessoa que não sabia se defender, aquela pessoa que não sabia nada sobre preconceitos, aquela que era aproveitada polos colegas. Hoje, eu não consigo ver NENHUM comentário preconceituoso sobre qualquer pessoa, hoje eu consigo defender meus amigos quando é preciso e não fico mais calada quando vejo algo errado. Eu acho que eu só fiquei assim, não porque sou uma pessoa boa, mas porque eu não quero que as pessoas passem pelo que eu já passei.
Eu tenho um objetivo, mudar o mundo. Mas eles podem me impedir.
Eu tenho um colega de sala (obs: Isso é antes, não tem mais escola por causa da pandemia) que é extremamente preconceituoso, no dia da consciência negra ele disse bem assim para o professor que contava a história de Zumbi:
-Professor, por que o Zumbi é considerado herói se todos que seguiram ele, acabaram morrendo?
O professor explicou calmamente e o "Idiota" (vou chamá-lo assim) continuou falando que ele (Zumbi) foi o errado da história. No dia das mulheres ele falou pra professora:
-Eu não entendo as mulheres, são que nem bonecos de montar, tira isso, coloca aquilo...
A professora tentou explicar... Que cada um tem o seu jeito e que NINGUÉM pode julgar. Ele continuou com seus argumentos e não mudou de opinião. E ainda tem essa frase:
-Eu não entendo os gays e lésbicas, eu respeito, mas... Eu não entendo!
Eu dizia pra mim mesma e já disse pros meus amigos:
-Um mundo descente não tem esse tipo de pessoa, era pra juntar todos que são preconceituoso, que mata, que rouba, que destrói as florestas... E jogar uma bomba com todos juntos.
Eu me arrependo desse pensamento e quero mudar isso, mas não sei como. Eu quero ser um exemplo, eu tenho um objetivo de mudar o mundo. Eu tenho projetos, mas eu não sei como lidar com essas pessoas, eu vejo comentários assim agora e grito, falo que está errado e que essa pessoa não tem direito a dar esse tipo de opinião e ideia. Não IMPORTA se é amigo, eu tiro da minha vida. Excluo todos que forem como esse idiota.
Eu tenho esses pensamento, mas não posso concluir meu objetivo se eu ainda tiver essas opiniões. Eu sei que penso errado sobre isso, que essas pessoas ruins deviam morrer ou ser excluídas de tudo. E eu tenho um futuro, eu planejei tudo e QUERO SER UM EXEMPLO pro mundo, mas eu não sei se vou chegar lá e estou com medo se tudo o que eu fizer, um dia vai ter sido tudo em vão.
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2020.07.30 22:02 joiasemfocoseo Pulseira De Pérola: Preços, Modelos e Como Usar Joias em Foco

Pulseira De Pérola: Preços, Modelos e Como Usar Joias em Foco

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A pulseira de pérola é uma peça bastante versátil e pode ser incorporada em diversos visuais, seguindo tanto tendências clássicas quanto modernas!
Essa peça já consagrada nas passarelas recebe releituras de acordo com as novas modas. Já tendo sido utilizada de maneira trabalhada, demonstrando o poder de uma joia. Sendo vista até mesmo de forma simples através de pedras artificiais usadas no dia-a-dia.
A popularidade é tanta que o que não falta são bijuterias que tentam reproduzir seu estilo. Para muitas mulheres, a pulseira de pérola é sinal de romantismo, mas, tem até mesmo aquelas que adaptam seu uso ao estilo rock ‘n’ roll.
De todas as formas, esse é um tipo de acessório que pode ser utilizado de dia ou de noite, de forma casual ou elaborada, por mulheres adultas ou crianças. Quem determina seu sentido em um visual é unicamente quem a usa e, por isso, ela é tão adaptável!
Por exemplo, pulseiras de pérola para noivas, por ser delicadas e românticas, essa peça harmoniza muito bem com o vestido da noiva, principalmente por seguir o padrão de cores claras. Sendo assim, vista em diferentes modelos.
Mas em caminho contrário existem as pérola negras, outra versão dessa pedra clássica, a pérola negra é bem rara e pode ser utilizada para criar um estilo mais sóbrio, gótico, rock ‘n’ roll e até mesmo moderno. Em geral, o acabamento é feito com fechos ou correntes de prata, incluindo as versões artificiais.
Fizemos um post com muitas dicas e ideias de combinação e preço sobre a pulseira de pérola. Confira em: https://joiasemfoco.com.bblog/pulseira-de-perola-como-usa
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